Sexta-feira, 16 de Maio de 2008

Casa Nova


Olá-olá!

Já é mais do que notório que este blog foi pro saco. E que eu fiquei muito tempo sem escrever. Mas agora, depois de um longo e tenebroso inverno (nah! De longo e tenebroso não teve nada!) eu voltei à ativa!

Tou agora no
Sinhá Lili.

E o Carioquíssimo voltou pro ar, pra completar a cereja no bolo.

Então, esqueça aqui e passa lá. ;)


Escrito por Lili em 10:17:40 | Link permanente | Comments (0) |

Sexta-feira, 20 de Abril de 2007

522

 

Pra quem quiser matar a saudade (por enquanto, pelo menos), agora sou colaboradora do Carioquíssimo.

Paulistana vendida, eu sei, e feliz pra burro. ;)

***

(Agradeço todos os comentários de apoio no post anterior. Valeu mesmo. Bjo bjo!)

Escrito por Lili em 14:16:51 | Link permanente | Comments (10) |

Domingo, 01 de Abril de 2007

521


Eu ando muito sumida. Sei lá por quê. E sensível também. Realmente não sei por quê. Tou em falta com o blog (falta grave, inclusive: tinha combinado com o Rodrigo de uma espécie de desafio bloguístico mas não tou conseguindo escrever mesmo). Eu não tenho vindo aqui, não tenho frequentado a blogosfera e nem tenho tido vontade de passar muito tempo na internet. Mal tenho entrado no MSN. E há pouco tempo eu passava horas batendo papo furado por aqui - o que me rendeu uma digitação rápida e até lições avançadas de inglês e grego.

Acredito que seja por que minha vida mudou muito nos últimos meses. Minhas prioridades mudaram. Alguns hábitos acabam mudando quando as prioridades mudam. Não tem como não.

Não consigo mais ficar horas no computador. Nem mesmo pra fazer o que é o meu dever, o meu trabalho. Uma coisa que muda isso é eu agora usar um laptop e não um desktop e, com isso passar a maior parte do tempo com o computador no colo e não numa mesa. E a falta do mouse, que eu vou resolver essa semana mesmo já que eu recuperei o meu photoshop - e sem mouse usar o photoshop é como fazer fogueira com faísca de pedra. O Rivotril perdeu um pouco o sentido, não pelo tema - que mudei diversas vezes durante a existência dele - mas pela falta de vontade de ficar comentando as coisas ao léu.

Tenho tido mais vontade de fazer coisas mais palpáveis, de mudar um pouco de ares, de tentar novidades.

Consegui reabilitar meu photoblog (Pimentinha) mas tava sem o photoshop, então nem sei se com ele eu vou continuar brincando.

Na verdade eu tou aqui escrevendo tudo isso porque acho que, de alguma forma, eu devo uma justificativa pelo meu sumiço. Nem sei exatamente pra quem eu devo isso. Devo pra quem vem - ou vinha - aqui ler, devo pra mim mesma já que é a primeira vez que eu penso realmente no assunto.

Eu não sei se eu vou voltar.

eu gosto de escrever e sempre foi isso que manteve esse blog funcionando. Nunca foi modismo ou vontade de me expor. Foi simplesmente a vontade de exercitar a escrita, de colocar idéias no papel, de criar coisas. Eu tenho essa necessidade de criar coisas. Mas às vezes a necessidade muda de direção, eu acho. E talvez ela tenha mudado de rumo e escrever tenha ficado pra outro lado.

Esse blog não vai ser desativado. Os comentários vão continuar entrando na minha caixa de emails, mas não quero mais ter a "obrigação" de olhar por ele. Se der saudade eu volto. E quando der visito esses amigos queridos que fiz nesse espaço que me inspirou por tanto tempo.

Ana, Cris, Edu, Ronzi, Paulinho, Lili, Rodrigo, Denise, Clarah, Inagaki, Lilian, Rafael, Roney, Marcelo, Liv, Rosana, Bruna, Pedro, Mauro e blogosfera além... obrigada.

E a todos os leitores - frequentes, esporádicos, anônimos, amigos, desconhecidos e afins - inté.

***

Eu nao entendi mas o editor nao quis mudar a fonte.

*** 

Atualização de 20/04/07: acho que agora eu consegui editar a fonte! =)

Escrito por Lili em 18:41:24 | Link permanente | Comments (15) |

Segunda-feira, 05 de Março de 2007

520

Eu tou relapsa com isso aqui. Confesso que estou numa safra fraca, muita geada, nada amadurece. Fico sem vontade de colocar uma vírgula sequer aqui. Mas, sabe como é, ter um blog é ter uma bola de chumbo amarrada no tornozelo. Por mais que você consiga tirar o pé do chão você vai sempre lembrar que tem algo ali e que, não tem jeito, você tem que dar atenção.

Tou eu aqui, então, sem inspiração nenhuma, escrevendo qualquer coisa que me vem à cabeça, só porque esse blog existe.

Então... conta aí, quem vai ganhar o Big Brother?:P

Escrito por Lili em 11:08:27 | Link permanente | Comments (10) |

Domingo, 11 de Fevereiro de 2007

519

Chegou o carnaval. E com ele uma onda de anormalidade que impressionatemente toma conta das pessoas. Parar uma avenida de grande movimento, por exemplo, não pode ser uma coisa normal. Mesmo num domingo. Não perceber, há uma quadra dessa grande avenida, que por ali não tem saída, não pode de forma alguma ser normal. Não dar ré e fica ali, no carro, esperando, como se o bloco fosse desintegrar em segundos e finalmente dará passagem para seu belo automóvel é a coisa mais anormal que eu já vi.

É, hoje eu vi. E não só vi.

Fecharam a avenida da praia. E eu tava acompanhando o Julio até lá, que ele tinha que tirar uma foto de uma fachada, exatamente no lugar que tava um bloco. E assim que a gente chegou naquele quarteirão a gente notou a zorra. Então dividimos as funções: enquanto ele corria buscar a tal foto eu daria ré até a esquina, pra pegar a rua paralela à da praia e poder sair dali. Mas o que normalmente pareceria óbvio e normal o "efeito carnaval" tomou o resto dos motoristas, que não entenderam tão facilmente. E em segundos tinha uma fila de carros se formando atrás de mim.

Rapidinho o Julio voltou, mas os carros não entendiam minha luz de ré. Passei o volante pra ele e abrimos as janelas, pra sinalizar que pra frente nada andava. Mas nada. Então resolvi sair do carro. Fui pra trás do nosso pretinho reluzente e comecei a sinalizar pro senhorzinho, logo atrás da gente, que ele tinha que recuar. Mas ele tava longe.

- Pra trás, meu senhor! Boooora!

Ele, finalmente me olhou, mas com cara de bocó.

- Pra trás, meu senhor! Tem bloco na praia! - apontei pra rua, pra ver se ele sacava. Mas ele continuou lá, bocó.

Fui me aproximando do carro dele e a cara de bocó foi virando cara de interrogação. Botei as mãos no capô.

- Meu senhor, dá ré! Rééééé!

A cara dele era a mais anormal que já vi, e isso foi me dando uma raiva, mas uma raiva... Dei um tapa no capô do carro. Ele deu um pulinho no banco. Fiquei olhando pra ele, olho no olho, cara de doberman, ele recuando no banco, começou a escorrer pros pedais.

- Rééééé, pooooorra! - rosnei.

Pois o senhorzinho começou a buzinar e, finalmente, dar ré. Estava amedrontado. Buzinava e olhava pra minha cara de doberman, dando ré sem nem olhar pra trás direito. O carro de trás percebeu que ia tomar uma porrada e, às pressas, engatou a ré também. Em poucos segundos virou uma reação em cadeia e a rua foi se abrindo pro pretinho reluzente passar.

Na esquina, cara a cara pela última vez, abri um sorriso pro senhorzinho. Mas ele arrancou sem entender, então rapidinho fiz questão de gritar:

- É o carnaval, meu senhor!... Car-na-val!

Escrito por Lili em 22:16:16 | Link permanente | Comments (5) |

Sábado, 03 de Fevereiro de 2007

518

A vantagem das férias do Julio, além dele ficar quase que exclusivo pra mim, é que de vez em quando o carro também fica. Eu não sou uma exímia motorista, mas sei que é por falta de prática, já que eu só pego carro quando roubo o de alguém da família em São Paulo ou quando o Julio fica com preguiça de sair. E ambas as oportunidades são raridade.

Pois o Julio está de férias e o carro fica lá, na garagem, esperando pra ser usado. Bonitinho, pretinho, reluzente, com um ar condicionado fresquinho e um cd player que fantasticamente me distrai no meu mini-percurso diário. Mini porque, quando muito, contando que uma música tem cerca de 3 minutos, eu consigo ouvir 5 delas. Isso se tiver trânsito.

Pois ontem eu fui de carro.

Cheguei na garagem e ele estava apontando pra porta, pronto pra sair. Sorri pro garagista, entrei e fui. Trânsito bom na Jardim Botânico - que eu não posso dizer que é raridade, já que a Jardim Botânico é a rua mais de lua do mundo - e em poucos minutos estava eu achando um vaga na rua da minha cliente. Vaga fácil, depois da esquina, nem precisei manobrar.

Quando abri a porta veio o guardador de carros, um senhorzinho, me fazendo sinal.

- Não pára aí, não. Tem caminhão descarregando ali atrás e eles passam por essa esquina tirando fina de quem pára aí. Às vezes batem mesmo. Pára na outra ali, depois da garagem.

Fechei a porta, chave de novo na ignição, ré pra sair da esquina, primeira pra entrar na vaga depois da entrada da garagem. Fui direto, só que quando parei vi que o carro não cabia. Desci pra conferir.

- Tem certeza que tá bom aqui? Tou na frente da garagem.

- Põe aqui então, nessa de trás, perto de mim. É só dar ré.

Voltei pro carro, porta, chave na ignição e uma ré, torta, já sem paciência por estar perdendo, pra estacionar, o tempo que eu demoro pra chegar. E finalmente parei.

- Aí você pode deixar o carro o quanto quiser. Ele pode até dormir aí que não tem problema.

Finalmente. Agora era só pegar um trocadinho no imã de moeda que fica no buraquinho da porta... mas o imã não tava lá, tava na sacola que a gente levou pra praia. Fucei a mochila e nada. Nenhum centavo na carteira. Nenhum real também. Saí sem dinheiro.

- Tou sem nada aqui, te dou depois, tá? - disse, pulando do carro e andando sem olhar pra trás, confiando que o botãozinho fecha a porta mesmo quando a gente não olha.

Quatro horas depois voltei pra rua. Hora de pegar o carro. Olhei de longe e não vi o senhorzinho. Corri pro carro, porta, chave, mas ele viu e veio, rapidinho, parando do lado do carro, como se numa rua morta daquela eu precisasse que ele parasse o trânsito pra eu sair.

- Tou sem um centavo aqui. Te dou depois, tá? - e arranquei meio culpada, meio com raiva de ter que dar dinheiro pra alguém "guardar" meu carro.

Agora um pouquinho mais de trânsito na Jardim Botânico, música alta, dança ao volante e em 15 minutos estava eu apertando o controlo remoto da garagem do prédio. E foi quando eu me lembrei deste detalhe: a garagem do prédio.

Entrei tranquila, pensando no garagista. Ele sabe que eu sou atrapalhadinha, deixo o carro na mão dele e ele acha uma vaga no labirinto estreito. Mas ele não estava na santa-poltrona dele.

- Ok, carrinho! Isso é um desafio! Vamos encaixar você em algum lugar!

Primeira. Fui guiando lentamente para o fundo. Freio. As vagas fáceis estavam preenchidas - provavelmente topeiras que nem eu. Olhei em volta e vi uma, na lateral, na ponta do corredor, e pra ajudar sem carro atrás. É só ir bem pra frente, inclinando pra direita, depois voltar de ré e pronto. O Julio faz isso todo dia, não pode ser difícil.

Primeira. Volante pra direita, carro embicado até a parede.

Ré. Putz, nunca tinha visto essa pilastra atrás. Quem botou ela aí? Não vai dar.

Primeira. É só colocar um pouco mais pra direita, aí quando eu der ré, coloco pra direita de novo e o carro passa.

Ré. Que raios de espaço minúsculo! E engenheiro burro esse que coloca uma pilastra na frente da outra! Ficou apertado isso aqui... vou ter que ir pra frente de novo, daí a próxima ré pra direita vai dar certo.

Primeira. Rápida, entre duas pilastras não tem muito espaço mesmo.

Ré. Ah! Agora foi! É só alinhar com o carro do fundo e colar bem a lateral, pra ninguém bater no carro, e isso é tranquilo.

Primeira. Ficou torto. Ré, só pra alinhar um pouquinho. Primeira, passei o nariz do carro. Ré, agora vai ficar no lugar.

E freio. Finalmente.

Chave, porta e saí do carro, orgulhosa por mais um dia de volante e feliz por ninguém ter visto isso.

Escrito por Lili em 08:50:34 | Link permanente | Comments (6) |

Quinta-feira, 01 de Fevereiro de 2007

517

Tava um dia de calorão, apesar desse verão insosso que tem feito aqui no Rio, e não dava pra resistir a um mergulho no fim do dia, depois do trabalho. Julio me pegou e fomos, em busca de uma praia calma onde pudéssemos aproveitar o mar e a areia sem os milhões de turistas desamparados que rondam a cidade.

Atravessamos o túnel e bem rápido já estávamos na Barra, rumo à praia da Reserva. Como não tem nada na orla da praia da Reserva a areia é mais limpa, com menos gente.

Pra nossa surpresa, os nichos de estacionamento micro que existem por lá estavam ocupados. Três carros por nicho não é praia lotada, mas pra uma sexta à tarde nos surpreendeu. Deixamos então o carro em um estacionamento na metade da orla, onde um cara de sunga sinalizava a entrada em baixo de um mastro com bandeiras desfiadas. O estacionamento também não estava tão vazio quanto esperávamos, mas meia dúzia de carros num estacionamento não é sinal de praia cheia.

Trocamos de roupa no carro agradecendo ao santo que inventou a película fumée pra vidros automotivos e, só com uma bolsa com toalha, água e o protetor solar, finalmente, seguimos pra areia.

E, realmente, a praia não estava cheia. Mas, pra nossa surpresa, também não estava vazia. Olhamos rapidamente em volta e vimos um clarãozinho um pouco mais adiante, onde poderíamos deixar nossas coisas tranquilamente na areia e cair no mar. Andamos calmamente até lá mas a areia formava um barranco em frente ao mar, não tava bom de ficar ali. Como mais pra frente tinha gente pescando e anzol não combina nada com mergulho, resolvemos voltar um pouco e ficar perto de um casal que se divertia rolando no banco de areia. Colocamos nossas coisas na areia, ao lado deles.

- Vocês podem dar uma olhadinha nas coisas pra gente dar um mergulho? - pedi pra moça que nem era mais tão moça e que ria muito, à milanesa.

- Claro! Vão tranquilos! - Ela sorriu.

Entramos finalmente no mar. A água tava escura, revolta, um pouco longe do normal. Algas tóxicas, lembrei.

- Na ponta da Barra, lá no quebra-mar, lembra que deu no jornal? Deve ser reflexo.

Mas reflexo de algas tóxicas não são algas tóxicas, então continuamos a diversão que tinha ficado um pouco menos divertida com a lembrança.

- Lili, tem um cara vindo pra cá. Tou de olho, mas fica esperta. - Disse o Julio, dos seus 1,91m, à espreita.

- Que cara?

- Tá com uma mochila nas costas. Bem estranho, porque tá se equilibrando no barranco em vez de ir pela areia, por cima... Vamos sair.

Começamos a andar e o cara, meio de longe, resmungou alguma coisa que eu não entendi. Continuamos seguindo pela água.

- O que foi que ele disse, Julio?

- Não entendi bem, mas acho que perguntou se tava fundo aqui. A gente com a água na cintura. Quer puxar papo.

- Puxar papo?!?

Saímos da água e o cara tinha ido embora por onde ele tinha chegado. Voltamos pras nossas coisas e então eu me dei conta na quantidade de homens sozinhos naquela praia.

- Estão todos esperando sacanagem.

- Jura?

- A praia fica deserta e vira prato cheio pra isso. Na verdade, essa praia é point de sacanagem, mas achei que em dia de semana não fosse não... - disse ele, se vestindo, alerta aos urubus que nos olhavam de longe.

Fiquei passada. E finalmente tudo fez sentido. Nos secamos, amarrei uma canga na cintura e fomos rumo à saída da praia.

- Disfarça. Olha aquele ali. - Apontou - Tá com a mão no pau. Tá esperando alguém chamar. E aquele outro, tá olhando pra gente, tá vendo? Tá achando que a gente tá escolhendo alguém.

Enquanto a gente passava por aquela fauna, todos olhavam pra gente e se aproximavam um pouquinho. Andávamos quase disfarçados, como se pudéssemos acordar os leões. E, definitivamente, eu não estava nem um pouco afim de ser devorada.

Finalmente voltamos pro estacionamento. Água sem dengue nos pés pra tirar a areia e, já dentro do carro,a salvos, o porteiro do estacionamento avisa:

- Olha o cinto de segurança! Além do perigo tem a multa e 7 pontos na carteira.

Perigo? Qual deles, cara-pálida?

Escrito por Lili em 09:49:07 | Link permanente | Comments (6) |

Quinta-feira, 25 de Janeiro de 2007

516

Esse blog não morreu. Eu juro que não. Sei que ando sumida, mas é fase. Juro que é. Vai passar. É que tou mudando de apartamento e antes tava sem computador e antes ainda teve ano-novo e natal e antes minhas mudanças de vida e com essa sequência fica difícil ser presente.

Mas sabe que eu fico com saudade de escrever? Fico. Porque ultimanente não tenho escrito muito - tenho sim lido muito. E tenho trabalhado muito. E tenho visto muito filme. Ah, pronto! Vamos relembrar os velhos tempos!

:: Exterminador do Futuro 1 e 2 - O dois, sem dúvida, é melhor do que o um, isso por causa da confiança que o James Cameron ganhou com o primeiro (confiança e orçamento, digamos assim). O roteiro dos dois se entrelaça bem e ambos tem aquele jogo fantástico de passado-presente-futuro que é magnético até. Virou clássico, tem que ver.

:: Mais Estranho Que a Ficção - Um dos melhores filmes que vi ultimamente. Tem um roteiro espetacular e atuações acertadas. Faz a gente refletir sem ser aquela coisa maçante de filme que quer fazer pensar. Adorei.

:: Os Bons Companheiros - Eu sei que é um clássico, mas eu não gostei muito, não. As atuações são boas mas o roteiro é um pouco arrastado e a montagem não tem nada de especial.

:: O Profissional - Outro filme espetacular que vi nos últimos tempos. Jean Reno e Natalie Portman (ainda criança) combinam muito e a direção lenta de Luc Besson dá um toque especial nesse roteiro um tanto quanto incomum.

:: Nikita - Também espetacular, também de Luc Besson, também com direção lenta nas cenas de ação, também com roteiro exótico e atuação muito bem explorada de Anne Parilaud. Tem que ver.

:: Kill Bill Vol.1 - Sei que vai ter um monte de gente querendo me matar por esse comentário, mas achei esse filme bobo. Essa coisa de homenagem às histórias em quadrinhos e aos japas tem limite. Realmente não vi muita graça não.

:: O Ano Em Que Meus Pais Sairam de Férias - Impressionante o talento que Cao Hamburger tem pra dirigir crianças. Pra quem não lembra, ele dirigia Castelo Ra-Tim-Bum. O filme consegue ser bom. Não chega ao ótimo porque falta alguma coisa no roteiro que eu não sei bem o que é. Mas funciona e é bonito.

:: Os Infiltrados - Ainda não entendi porque insistem em genializar Martin Scorcese. Jack Nicholson é realmente incrível, mas sua atuação aqui não chega aos pés de Melhor É Impossível ou Um Estranho no Ninho. O resto do filme é um tanto mais do mesmo.

Pois. Vi mais um monte de outros mas não me lembro agora. Se lembrar e der vontade, depois eu coloco aqui. Senão a gente se fala no próximo post - e eu juro que vou tentar ficar mais presente.

Escrito por Lili em 10:08:56 | Link permanente | Comments (6) |

Domingo, 07 de Janeiro de 2007

515

Quem trabalha por projeto não tem férias. Infelizmente é assim que funciona. Uma coisa sempre puxa outra e não se pára de trabalhar nunca. Até aí, tudo bem. Não vou dizer que não tenho uma certa flexibilidade. E também não trabalho em feriados nem finais de semana. E trabalho pouco em relação aos meus companheiros de profissão que tem trabalho fixo. Mas eles não passam pelas coisas que eu passo. Por um simples motivo: eu trabalho dentro da casa do meu cliente.

Cheguei do ano-novo, dia 02 de janeiro, pra continuar o que eu tinha parado. Estou na fase das fotos há meses. Porque são muitas, 50 anos de fotos misturadas incoerentemente e eu não uso a minha cliente pra me ajudar na seleção. Apesar de parecer loucura eu trabalho no olhômetro: essa foto tem a mesma criança dessa, essa velha tá usando a mesma roupa que na outra, essas coisas. Eu já tentei trabalhar com orientação da minha cliente, mas ela é passional demais, pára e se emociona com o passado e tira as fotos das pilhas e as pilhas de lugar. Por isso trabalho sozinha. E deixo minhas pastas lotadas de fotos pré-selecionadas sempre no mesmo lugar, quietinhas, esperando a hora de serem reabertas e organizadas em álbuns - que é o trabalho que eu estou fazendo agora.

Então você pode imaginar como foi entrar no primeiro dia útil do ano e dar de cara com a sala completamente mudada, os móveis trocados de lugar. Fiquei parada por alguns segundos, olhando tudo naquela cena clássica de mão-na-boca e olhos arregalados, até chegar na mesa onde as pastas sempre ficavam intactas.

Claro que nada mais estava no lugar.

Sentei ao lado das pastas, incrédula. Fiquei ali, sentada, com aquelas pastas e a certeza do trabalho perdido, a raiva subindo garganta acima, nem vi quando ela desceu e tomou conta da minha mão, jogando o vaso de orquídea, que insistentemente teimavam em manter junto do meu material, contra a parede. O berro quase saiu junto mas a cliente entrou na sala antes que desse tempo dele fugir boca a fora.

- Feliz Ano-Novo. Elisa! - veio, ela, sorridente.

- Feliz Ano-Novo... - respondi, prendendo o grito entre os dentes que, de alguma forma, formavam um sorriso.

- Passou bem a virada?  - foi chegando, olhando as pastas mexidas.

- Passei, obrigada.

- Deixa eu te falar: recebi visitas no reveillon e, quando voltei pra sala, tinham mexido nas pastas.

O grito quase trincou meu dente, forçando a barra pra sair.

- Mas eu, assim que vi, pedi pra não mexerem mais, então está tudo em ordem dentro das pastas, elas só foram tiradas de posição.

O grito escorreu goela abaixo e deu espaço pro ar voltar a subir pro cérebro.

- Entendi. Já estava preocupada. - disse, num ar falsamente calmo.

Ela sorriu e saiu, me deixando finalmente respirar. Pelo menos por alguns segundos, antes de correr atrás da vassoura e recolher os restos mortais da orquídea que "caiu no chão, tadinha... - não disse que não era bom deixá-la junto das minhas pastas?"

E o ano começa, finalmente.

 

***

Um bom 2007 pra você! ;) 

 

Escrito por Lili em 07:54:34 | Link permanente | Comments (12) |

Sexta-feira, 29 de Dezembro de 2006

514

As malas quase prontas pra viagem, natal em família a vista, com uma parada estratégica de um diazinho, um só, em Mauá, pra lagartixar e amenizar o calor infernal que anda fazendo na cidade maravilhosa. Quando entro na sala me deparo com a porta da geladeira escancarada. Julio com uma faca na mão golpeia o congelador da Hotpoint anos 50, xodó da casa, mais do que um móvel.

- Julio, o que você tá fazendo?

- Degelando a geladeira.

- Agora? E assim?

- É rápido. Enquanto você termina de arrumar as malas eu arranco esse gelo daqui. Não demora nada. Já fiz muito isso, não dá pra esperar ela degelar sozinha.

- Mas, Julio, é muito gelo, vai demorar muito. E outra, não é bom ficar batendo assim no congelador, pode quebrar alguma coisa.

- Não quebra nada, não. Essa geladeira tem uns 60 anos e não faz um barulhinho, aguenta muito mais do que essas novas. Já fiz isso, acredita em mim, vou degelar pelo menos um pouco dela, só pra liberar o termostato.

Continuou batendo na crosta de gelo que tinha se formado em volta da caixinha que, nos anos 50, eles chamavam de congelador.

- Você tem um martelo? - Me olhou, cúmplice - Vai dizer que você nunca fez isso?

Quem nunca fez? Ri, enquanto abria a caixa de ferramentas e pegava o martelo mais leve. Entreguei a ele, observei rapidinho a pancadaria e o gelo voando pela sala inteira, mas tinha malas pra terminar.

Com as malas prontas voltei pra sala. Ele ainda lá, esculpindo a caixinha de metal. O chão de taco inundado. Concordou que era hora de parar:

- Já livrei o termostato, olha. - e me mostrou a tampinha já aberta e o botão redondinho branco lá dentro. - Deixa só eu limpar um pouquinho em volta do fio do termostato e aí eu paro.

Com um pano eu sequei o chão enquanto ele desentortava a faca anos 70, presente de casamento que meus pais receberam e nunca tiveram coragem de usar pelo design arrojado demais e a cor, laranja-avermelhado, forte demais.

Porta aberta, janelas fechadas, malas no corredor. Chamamos o elevador e finalmente trancamos a porta, sem imaginar que deixávamos pra volta uma geladeira morta, comidas azedas e água pelo chão, frutos do encontro dos anos 50 com os 70.

20 anos se esbarrando num fiozinho...

Escrito por Lili em 18:40:43 | Link permanente | Comments (4) |