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Quem trabalha por projeto não tem férias. Infelizmente é assim que funciona. Uma coisa sempre puxa outra e não se pára de trabalhar nunca. Até aí, tudo bem. Não vou dizer que não tenho uma certa flexibilidade. E também não trabalho em feriados nem finais de semana. E trabalho pouco em relação aos meus companheiros de profissão que tem trabalho fixo. Mas eles não passam pelas coisas que eu passo. Por um simples motivo: eu trabalho dentro da casa do meu cliente.
Cheguei do ano-novo, dia 02 de janeiro, pra continuar o que eu tinha parado. Estou na fase das fotos há meses. Porque são muitas, 50 anos de fotos misturadas incoerentemente e eu não uso a minha cliente pra me ajudar na seleção. Apesar de parecer loucura eu trabalho no olhômetro: essa foto tem a mesma criança dessa, essa velha tá usando a mesma roupa que na outra, essas coisas. Eu já tentei trabalhar com orientação da minha cliente, mas ela é passional demais, pára e se emociona com o passado e tira as fotos das pilhas e as pilhas de lugar. Por isso trabalho sozinha. E deixo minhas pastas lotadas de fotos pré-selecionadas sempre no mesmo lugar, quietinhas, esperando a hora de serem reabertas e organizadas em álbuns - que é o trabalho que eu estou fazendo agora.
Então você pode imaginar como foi entrar no primeiro dia útil do ano e dar de cara com a sala completamente mudada, os móveis trocados de lugar. Fiquei parada por alguns segundos, olhando tudo naquela cena clássica de mão-na-boca e olhos arregalados, até chegar na mesa onde as pastas sempre ficavam intactas.
Claro que nada mais estava no lugar.
Sentei ao lado das pastas, incrédula. Fiquei ali, sentada, com aquelas pastas e a certeza do trabalho perdido, a raiva subindo garganta acima, nem vi quando ela desceu e tomou conta da minha mão, jogando o vaso de orquídea, que insistentemente teimavam em manter junto do meu material, contra a parede. O berro quase saiu junto mas a cliente entrou na sala antes que desse tempo dele fugir boca a fora.
- Feliz Ano-Novo. Elisa! - veio, ela, sorridente.
- Feliz Ano-Novo... - respondi, prendendo o grito entre os dentes que, de alguma forma, formavam um sorriso.
- Passou bem a virada? - foi chegando, olhando as pastas mexidas.
- Passei, obrigada.
- Deixa eu te falar: recebi visitas no reveillon e, quando voltei pra sala, tinham mexido nas pastas.
O grito quase trincou meu dente, forçando a barra pra sair.
- Mas eu, assim que vi, pedi pra não mexerem mais, então está tudo em ordem dentro das pastas, elas só foram tiradas de posição.
O grito escorreu goela abaixo e deu espaço pro ar voltar a subir pro cérebro.
- Entendi. Já estava preocupada. - disse, num ar falsamente calmo.
Ela sorriu e saiu, me deixando finalmente respirar. Pelo menos por alguns segundos, antes de correr atrás da vassoura e recolher os restos mortais da orquídea que "caiu no chão, tadinha... - não disse que não era bom deixá-la junto das minhas pastas?"
E o ano começa, finalmente.
***
Um bom 2007 pra você! ;)


Se ainda lembrar de mim, temos novidades!
http://urbanopolisblog.blogspot.com
Te espero lá!
Beijos! (Comentar)
é sempre bom visitar esta casa. Por falar nisto, estou criando coragem para abrir a minha. Dá uma passadinha lá!
Um beijão e feliz ano novo! (Comentar)
É foda..
2007 do grande caralho pra nós! (Comentar)
Beijo! (Comentar)
Beijo!! (Comentar)
Como vc tá moça???? Tá meio parado aqui também pelo cvisto, hehe. Só coloquei de novo agora a internet em casa. Eu e a Luana estamos morando junto agora (até que enfim), hehe. Casadão!!! E como vc está menina? Me escreve no e-mail.
Beijo.! (Comentar)
Descobri o teu blog por acaso, no Google. Estava à procura de "Ortótica" e encontrei um post teu de 2005.
Desde 1992 que faço essa terapia anualmente, porque os meus níveis de convergência eram muito baixos. Qual não foi o meu espanto ontem, quando na consulta de rotina o médico me disse, meio incrédulo, que tudo desapareceu, pois os meus níveis estão no máximo da normalidade.
Se lhe contasse o que fiz, ele não iria acreditar - ah ah ah!
Viva 2007, o ano da Alegria! :D (Comentar)
Já disse uma vez e repito: vc é uma ótima contadora de histórias. (Comentar)