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Tava um dia de calorão, apesar desse verão insosso que tem feito aqui no Rio, e não dava pra resistir a um mergulho no fim do dia, depois do trabalho. Julio me pegou e fomos, em busca de uma praia calma onde pudéssemos aproveitar o mar e a areia sem os milhões de turistas desamparados que rondam a cidade.
Atravessamos o túnel e bem rápido já estávamos na Barra, rumo à praia da Reserva. Como não tem nada na orla da praia da Reserva a areia é mais limpa, com menos gente.
Pra nossa surpresa, os nichos de estacionamento micro que existem por lá estavam ocupados. Três carros por nicho não é praia lotada, mas pra uma sexta à tarde nos surpreendeu. Deixamos então o carro em um estacionamento na metade da orla, onde um cara de sunga sinalizava a entrada em baixo de um mastro com bandeiras desfiadas. O estacionamento também não estava tão vazio quanto esperávamos, mas meia dúzia de carros num estacionamento não é sinal de praia cheia.
Trocamos de roupa no carro agradecendo ao santo que inventou a película fumée pra vidros automotivos e, só com uma bolsa com toalha, água e o protetor solar, finalmente, seguimos pra areia.
E, realmente, a praia não estava cheia. Mas, pra nossa surpresa, também não estava vazia. Olhamos rapidamente em volta e vimos um clarãozinho um pouco mais adiante, onde poderíamos deixar nossas coisas tranquilamente na areia e cair no mar. Andamos calmamente até lá mas a areia formava um barranco em frente ao mar, não tava bom de ficar ali. Como mais pra frente tinha gente pescando e anzol não combina nada com mergulho, resolvemos voltar um pouco e ficar perto de um casal que se divertia rolando no banco de areia. Colocamos nossas coisas na areia, ao lado deles.
- Vocês podem dar uma olhadinha nas coisas pra gente dar um mergulho? - pedi pra moça que nem era mais tão moça e que ria muito, à milanesa.
- Claro! Vão tranquilos! - Ela sorriu.
Entramos finalmente no mar. A água tava escura, revolta, um pouco longe do normal. Algas tóxicas, lembrei.
- Na ponta da Barra, lá no quebra-mar, lembra que deu no jornal? Deve ser reflexo.
Mas reflexo de algas tóxicas não são algas tóxicas, então continuamos a diversão que tinha ficado um pouco menos divertida com a lembrança.
- Lili, tem um cara vindo pra cá. Tou de olho, mas fica esperta. - Disse o Julio, dos seus 1,91m, à espreita.
- Que cara?
- Tá com uma mochila nas costas. Bem estranho, porque tá se equilibrando no barranco em vez de ir pela areia, por cima... Vamos sair.
Começamos a andar e o cara, meio de longe, resmungou alguma coisa que eu não entendi. Continuamos seguindo pela água.
- O que foi que ele disse, Julio?
- Não entendi bem, mas acho que perguntou se tava fundo aqui. A gente com a água na cintura. Quer puxar papo.
- Puxar papo?!?
Saímos da água e o cara tinha ido embora por onde ele tinha chegado. Voltamos pras nossas coisas e então eu me dei conta na quantidade de homens sozinhos naquela praia.
- Estão todos esperando sacanagem.
- Jura?
- A praia fica deserta e vira prato cheio pra isso. Na verdade, essa praia é point de sacanagem, mas achei que em dia de semana não fosse não... - disse ele, se vestindo, alerta aos urubus que nos olhavam de longe.
Fiquei passada. E finalmente tudo fez sentido. Nos secamos, amarrei uma canga na cintura e fomos rumo à saída da praia.
- Disfarça. Olha aquele ali. - Apontou - Tá com a mão no pau. Tá esperando alguém chamar. E aquele outro, tá olhando pra gente, tá vendo? Tá achando que a gente tá escolhendo alguém.
Enquanto a gente passava por aquela fauna, todos olhavam pra gente e se aproximavam um pouquinho. Andávamos quase disfarçados, como se pudéssemos acordar os leões. E, definitivamente, eu não estava nem um pouco afim de ser devorada.
Finalmente voltamos pro estacionamento. Água sem dengue nos pés pra tirar a areia e, já dentro do carro,a salvos, o porteiro do estacionamento avisa:
- Olha o cinto de segurança! Além do perigo tem a multa e 7 pontos na carteira.
Perigo? Qual deles, cara-pálida?


e me diverte.
foi bom tê-la descoberto.
=* (Comentar)
Bjo. (Comentar)
Esses teus causos são uma viagem. :) (Comentar)