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A vantagem das férias do Julio, além dele ficar quase que exclusivo pra mim, é que de vez em quando o carro também fica. Eu não sou uma exímia motorista, mas sei que é por falta de prática, já que eu só pego carro quando roubo o de alguém da família em São Paulo ou quando o Julio fica com preguiça de sair. E ambas as oportunidades são raridade.
Pois o Julio está de férias e o carro fica lá, na garagem, esperando pra ser usado. Bonitinho, pretinho, reluzente, com um ar condicionado fresquinho e um cd player que fantasticamente me distrai no meu mini-percurso diário. Mini porque, quando muito, contando que uma música tem cerca de 3 minutos, eu consigo ouvir 5 delas. Isso se tiver trânsito.
Pois ontem eu fui de carro.
Cheguei na garagem e ele estava apontando pra porta, pronto pra sair. Sorri pro garagista, entrei e fui. Trânsito bom na Jardim Botânico - que eu não posso dizer que é raridade, já que a Jardim Botânico é a rua mais de lua do mundo - e em poucos minutos estava eu achando um vaga na rua da minha cliente. Vaga fácil, depois da esquina, nem precisei manobrar.
Quando abri a porta veio o guardador de carros, um senhorzinho, me fazendo sinal.
- Não pára aí, não. Tem caminhão descarregando ali atrás e eles passam por essa esquina tirando fina de quem pára aí. Às vezes batem mesmo. Pára na outra ali, depois da garagem.
Fechei a porta, chave de novo na ignição, ré pra sair da esquina, primeira pra entrar na vaga depois da entrada da garagem. Fui direto, só que quando parei vi que o carro não cabia. Desci pra conferir.
- Tem certeza que tá bom aqui? Tou na frente da garagem.
- Põe aqui então, nessa de trás, perto de mim. É só dar ré.
Voltei pro carro, porta, chave na ignição e uma ré, torta, já sem paciência por estar perdendo, pra estacionar, o tempo que eu demoro pra chegar. E finalmente parei.
- Aí você pode deixar o carro o quanto quiser. Ele pode até dormir aí que não tem problema.
Finalmente. Agora era só pegar um trocadinho no imã de moeda que fica no buraquinho da porta... mas o imã não tava lá, tava na sacola que a gente levou pra praia. Fucei a mochila e nada. Nenhum centavo na carteira. Nenhum real também. Saí sem dinheiro.
- Tou sem nada aqui, te dou depois, tá? - disse, pulando do carro e andando sem olhar pra trás, confiando que o botãozinho fecha a porta mesmo quando a gente não olha.
Quatro horas depois voltei pra rua. Hora de pegar o carro. Olhei de longe e não vi o senhorzinho. Corri pro carro, porta, chave, mas ele viu e veio, rapidinho, parando do lado do carro, como se numa rua morta daquela eu precisasse que ele parasse o trânsito pra eu sair.
- Tou sem um centavo aqui. Te dou depois, tá? - e arranquei meio culpada, meio com raiva de ter que dar dinheiro pra alguém "guardar" meu carro.
Agora um pouquinho mais de trânsito na Jardim Botânico, música alta, dança ao volante e em 15 minutos estava eu apertando o controlo remoto da garagem do prédio. E foi quando eu me lembrei deste detalhe: a garagem do prédio.
Entrei tranquila, pensando no garagista. Ele sabe que eu sou atrapalhadinha, deixo o carro na mão dele e ele acha uma vaga no labirinto estreito. Mas ele não estava na santa-poltrona dele.
- Ok, carrinho! Isso é um desafio! Vamos encaixar você em algum lugar!
Primeira. Fui guiando lentamente para o fundo. Freio. As vagas fáceis estavam preenchidas - provavelmente topeiras que nem eu. Olhei em volta e vi uma, na lateral, na ponta do corredor, e pra ajudar sem carro atrás. É só ir bem pra frente, inclinando pra direita, depois voltar de ré e pronto. O Julio faz isso todo dia, não pode ser difícil.
Primeira. Volante pra direita, carro embicado até a parede.
Ré. Putz, nunca tinha visto essa pilastra atrás. Quem botou ela aí? Não vai dar.
Primeira. É só colocar um pouco mais pra direita, aí quando eu der ré, coloco pra direita de novo e o carro passa.
Ré. Que raios de espaço minúsculo! E engenheiro burro esse que coloca uma pilastra na frente da outra! Ficou apertado isso aqui... vou ter que ir pra frente de novo, daí a próxima ré pra direita vai dar certo.
Primeira. Rápida, entre duas pilastras não tem muito espaço mesmo.
Ré. Ah! Agora foi! É só alinhar com o carro do fundo e colar bem a lateral, pra ninguém bater no carro, e isso é tranquilo.
Primeira. Ficou torto. Ré, só pra alinhar um pouquinho. Primeira, passei o nariz do carro. Ré, agora vai ficar no lugar.
E freio. Finalmente.
Chave, porta e saí do carro, orgulhosa por mais um dia de volante e feliz por ninguém ter visto isso.


e atualizei o blog, depois de quase dois meses! agora vai pegar no tranco! (Comentar)
Lili, fiquei de te dizer o que fiz com os meus olhos para ficar bem. É complicado explicar, já que foi um conjunto de coisas. Bom, em paralelo com a terapia dos olhos, que tinha mesmo de fazer senão não conseguia ler, experimentei fazer hipnoterapia. Além disso, comecei a me disciplinar na meditação. Claro que não consegui fazê-lo diariamente, como gostaria, mas tento fazê-lo com frequência.
A minha teoria, sem entrar em explicações muito esotéricas, é que consegui "dominar" os músculos oculares através de técnicas de relaxamento.
Claro que a partir daqui se abriu um mundo para mim, mas não vamos entrar por aí... O importante é que consegui acabar com o grande problema que tinha nos olhos, coisa que pela opinião médica me iria acompanhar para o resto da vida.
Existe também uma técnica desenvolvida por um Dr. Bates, chamada de Palming, que consiste em fazer uma série de exercícios para melhorar e tratar uma série de problemas oculares. Sei através de uma amiga que essas técnicas têm resultados surpreendentes.
Espero ter ajudado. Qualquer coisa, me peça.
Bjs
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Ah, fiz um post em sua homenagem (porque fala em um museu e na sensação que a arte produz na gente). Espero que curta. Bjim! (Comentar)