Domingo, 11 de Fevereiro de 2007

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Chegou o carnaval. E com ele uma onda de anormalidade que impressionatemente toma conta das pessoas. Parar uma avenida de grande movimento, por exemplo, não pode ser uma coisa normal. Mesmo num domingo. Não perceber, há uma quadra dessa grande avenida, que por ali não tem saída, não pode de forma alguma ser normal. Não dar ré e fica ali, no carro, esperando, como se o bloco fosse desintegrar em segundos e finalmente dará passagem para seu belo automóvel é a coisa mais anormal que eu já vi.

É, hoje eu vi. E não só vi.

Fecharam a avenida da praia. E eu tava acompanhando o Julio até lá, que ele tinha que tirar uma foto de uma fachada, exatamente no lugar que tava um bloco. E assim que a gente chegou naquele quarteirão a gente notou a zorra. Então dividimos as funções: enquanto ele corria buscar a tal foto eu daria ré até a esquina, pra pegar a rua paralela à da praia e poder sair dali. Mas o que normalmente pareceria óbvio e normal o "efeito carnaval" tomou o resto dos motoristas, que não entenderam tão facilmente. E em segundos tinha uma fila de carros se formando atrás de mim.

Rapidinho o Julio voltou, mas os carros não entendiam minha luz de ré. Passei o volante pra ele e abrimos as janelas, pra sinalizar que pra frente nada andava. Mas nada. Então resolvi sair do carro. Fui pra trás do nosso pretinho reluzente e comecei a sinalizar pro senhorzinho, logo atrás da gente, que ele tinha que recuar. Mas ele tava longe.

- Pra trás, meu senhor! Boooora!

Ele, finalmente me olhou, mas com cara de bocó.

- Pra trás, meu senhor! Tem bloco na praia! - apontei pra rua, pra ver se ele sacava. Mas ele continuou lá, bocó.

Fui me aproximando do carro dele e a cara de bocó foi virando cara de interrogação. Botei as mãos no capô.

- Meu senhor, dá ré! Rééééé!

A cara dele era a mais anormal que já vi, e isso foi me dando uma raiva, mas uma raiva... Dei um tapa no capô do carro. Ele deu um pulinho no banco. Fiquei olhando pra ele, olho no olho, cara de doberman, ele recuando no banco, começou a escorrer pros pedais.

- Rééééé, pooooorra! - rosnei.

Pois o senhorzinho começou a buzinar e, finalmente, dar ré. Estava amedrontado. Buzinava e olhava pra minha cara de doberman, dando ré sem nem olhar pra trás direito. O carro de trás percebeu que ia tomar uma porrada e, às pressas, engatou a ré também. Em poucos segundos virou uma reação em cadeia e a rua foi se abrindo pro pretinho reluzente passar.

Na esquina, cara a cara pela última vez, abri um sorriso pro senhorzinho. Mas ele arrancou sem entender, então rapidinho fiz questão de gritar:

- É o carnaval, meu senhor!... Car-na-val!

Escrito por Lili em 22:16:16 | Link permanente | Comments (5) |
Comentário
1 - O cara de dorberman!
vc é doida mesmo! hahahaha
fala sério! eu me considero doida no transito mas vc ganhou! se fosse outra mulher q estivesse no volante ela teria descido do carro e voado em seus cabelos!
Mas e ai? como vc está? o carnaval já começou ai? (q pergunta!)
aqui, as ruas da Z/N por exemplo já estão interditadas p/ passagem dos carros alegóricos e na marginal tiete ao lado do sambodromo está com cabresto (conduzir quadrupedes pela cabeça!)... é! são tapumes de aluminio no canteiro da marginal p/ ninguem ficar parando em plena via expressa da marginal e ficar assistindo aos desfiles de dentro do carro e gerar AQUELE transito... quero só ver!
Beijão (Comentar)

Escrito por: Thalita Calado em 2007/02/14 - 11:08:15
2 - Carnaval é uma grande falsidade. Como pode alguém ser feliz somente por 4 dias, tem gente assim!! Beijus (Comentar)

Escrito por: Luma em 2007/02/17 - 10:22:28
3 - Lili, este senhor é mesmo marcha lenta, heim? Mas cuidado menina, você poderia ter se topado com um Pit Bull e aí, podia sair briga! Bjim! (Comentar)

Escrito por: Ana Paula em 2007/02/20 - 11:09:20
4 - Nossa!! Vc está braba hein?

Só lamento não ter registro fotográfico disso!! Deve ter sido uma cena hilária!!!

E eu que pensava que o violento era eu! ;-)

Passei só para deixar um beijo!

Beijo! (Comentar)

Escrito por: Roney Belhassof em 2007/03/04 - 20:49:00
5 - Lili
Talvez tenhamos sido vizinhos. Meu apartamento era no Machado de Assis ali, entre Santa Clara e Constante Ramos. Há uns 30 anos atras, meu médico insistia que eu tomasse rivotril e parnate. Cedi. Anos depois quebrei, fali, fiquei pobre de marré deci.
O parnate e o rivotril garantiram a minha sanidade, adaptação e lento, penoso, mas obstinada busca de novos espaços. Do alto dos meus 70 anos posso te garantir esses remédios são mágicos.
Cumprimentos pela teu blog.
Castello (Comentar)

Escrito por: Anónimo em 2007/04/14 - 23:34:23