Saturday, April 30, 2005

105

Adoro essa coisa de parecer gente famosa!



Sério! Acontece direto comigo. Ninguém lembra de onde me conhece, onde foi que me viu, claro, mas sempre rola um “você é atriz, né?“, daí eu respondo que sim e a pessoa sorri daquele jeito “eu sabia!” e às vezes até fala “ah, já te vi na televisão!“. Eu me divirto, porque eu nunca fiz televisão!



Hoje eu e o Ornito paramos pra comer num restaurante no Botafogo Escada Shopping e aconteceu isso. A garçonete ficou toda toda, fez sala e depois foi avisar a gelera no balcão que era 
a atriz que tava sentada ali. Qual? Ela provavelmete não sabia, mas e daí? É A ATRIZ, ué!
Posted by Lili at 22:19:43 | Permalink | Comments (2)

104

Acabei de ler no O Globo Online que a comemoração de 30 anos de Libertação do Vietnã foi feita sem parada militar, sem tanques, sem mísseis. Achei lindo. É a primeira vez que eles comemoram com bolo em vez de armas.

Tava falando de liberdade essa semana - você não acha que assim eles começam a se libertar?

Posted by Lili at 16:14:54 | Permalink | Comments (6)

103

Assisti A Intérprete, do Sydney Pollack, ontem.



Impressões? O filme é bem montado; Nicole Kidman é ótima, linda e ninguém segura o cabelo dela, que provoca erros de continuidade durante todo o filme; Sean Pean é ótimo, ainda mais quando faz papel de “pobre coitado”; a fotografia é bem feita apesar de não inovar, a luz idem. Não vi grandes erros de continuidade nem de lógica. Tudo pareceu no lugar.



E a história? Gostei. Não posso dizer que o filme seja uma obra-prima, mas ele abre os olhos para duas coisas importantíssimas nesse nosso período conturbado: a importância da diplomacia e da palavra em vez da violência e da arma e a situação da África, que a gente lembra esporadicamente, comenta que é preciso fazer alguma coisa mas tudo continua como está. A ONU sai ganhando com o filme (primeiro a ser rodado nas dependências da ONU, em Nova Iorque) já que sua imagem está bem arranhada depois do desrespeito estadunidense às suas interveções. Fala-se muito em procurar outras formas de se resolver conflitos armados e que a África, além de linda e conflitante, merece respeito.



No geral é quase um filme institucional, mas com bastante emoção e suspense. Vale o ingresso e a reflexão.



Fim da crônica cinematográfica (The End).
Posted by Lili at 16:04:19 | Permalink | No Comments »

Friday, April 29, 2005

102

Li no Terra hoje que a atriz Maggie Gyllenhaal tá sendo apedrejada por críticas e ofensas porque declarou que “(…) os Estados Unidos foram em parte “responsáveis” pela tragédia” (do 11 de Setembro de 2001). Agora ela está tentando amenizar o impacto do que disse, já que um site de seu fã-clube teve que sair do ar, de tantas críticas que recebeu.



Aqui no Brasil o Jorge Kajuru, jornalista conhecidíssimo por não ter papas na língua, vai ter que cumprir 18 meses de regime aberto por ter criticado uma empresa de comunicação de Goiás, onde trabalhava na época, ao vivo, no rádio. A pena deve ser cumprida em Goiás, mas ele está tentando, pelo menos, transferí-la pra Sampa, onde mora e trabalha.



Achou o link entre as duas notícias? Sim, a censura. Parece bobagem, eu mesma achava censura uma coisa vaga, até que eu fui censurada pelo Decano da UNIRIO no meu discurso de formatura, quando relatei que tivemos muitas greves.

Acho engraçado tudo isso, contraditório. Um professor que se diz resistente durante a ditadura censurando uma aluna na colação de grau; a imprensa que sempre fez apologia à liberdade processando um dos seus; os moradores da “terra da liberdade” tornando infernal a vida de uma pessoa que discorda do regime autoritário de guerra estadunidense.



eu me pergunto: existe mesmo a liberdade? Ou pelo menos, vai existir um dia? E mais: o que é a liberdade? Será que algum dia ela existiu pra alguém saber do que se trata se um dia ela chegar?

Posted by Lili at 15:40:47 | Permalink | Comments (2)

101

Quando comecei a namorar o Ornito achava a maior piração ele falar grego. Em alguns momentos até me incomodava um pouco, depois entendi que nada de mal havia nisso, ao contrário, eu também podia aprender e ser bem divertido.



Hoje eu sei um pouco, bem pouco. Mas acho que o que mais gosto das coisas gregas do Ornito, além do Combolói, é o CD do Synitheis Ypoptoi chamado Meres Adespotes (infelizmente o Blog.Com não aceita o alfabeto grego). Achei que eu nunca ia gostar de música grega, mas esse é uma obra prima. Tanto que acordei cheia de vontade de ouví-lo - e adivinha o que estou fazendo agora?

Você já ouviu música grega (não tou falando de Antony Quinn em Zorba, O Grego não, heim!)?

Posted by Lili at 15:13:30 | Permalink | No Comments »

100

Nossa… já tou no centésimo post, em dois meses.



E pra comemorar vou ficar de castigo no fim-de-semana. Isso porque aquele meu dente, lembra?, do buraco, da gemada, passou por obras hoje de novo. Só que desta vez foi um aumento de coroa (que para os leigos significa que elas arrancam um pedaço da tua gengiva pra aumentar o entorno do dente). Ou seja, tou com ponto e não posso fazer esforço. Doeu - e sei que ainda deve doer mais - mas o que salva é a Flavinha e a Cíntia. Azar de quem tem que fazer essas coisas com dentista chato: passei uma hora e trá-lá-lá na cadeira e nem senti, de tanto que eu ria das duas palhaças.



Só que amanhã vou de teimosa na aula do Delson e vou ter que ficar quietinha, só assistindo. Dos males o menor. Daqui a pouco nem tem mais nada, né?
Posted by Lili at 03:02:18 | Permalink | No Comments »

Thursday, April 28, 2005

99

Por que é que eu fui inventar de marcar a musculação no olho pra tão cedo? Eu tou desempregada, ninguém me chama pra nada - entrei naquele meio dos superqualificados pro óbvio e pouco qualificados pro máximo. Isso na Museologia. Porque, como atriz, o negócio é outro: contatos. Contacts makes the world go round.



Que babaquice a minha marcar cedinho achando que pode acontecer alguma coisa, pintar algum trabalho, daí já tá tudo marcado. Morre de véspera, vai, Perua!
Posted by Lili at 11:37:36 | Permalink | Comments (2)

98

Tou refletindo desde ontem sobre o que as pessoas fazem em segredo.



Parece loucura mas desde que peguei o link do blog PostSecret no blog da Rosana Hermann não parei de pensar nisso. O blog, aliás, é uma graça e acabei colocando lá na lista dos Outros Mundos. Vale a pena dar uma futucada.



Mas voltando. Fiquei pensando, o que é que as pessoas pensam? O que é que elas fazem e não contam pra ninguém? Ou que pouca gente sabe? Porque tem coisas muito importantes que a gente nem tem idéia mas compromete a vida dos outros. Tipo o caso do arquiteto de Brasília que é pedófilo. Rico, bem sucedido, provavelmente uma “pessoa normal”, mas que torturava e abusava de crianças de 3, 4 anos de idade. Aí lembrei de um amigo meu, médico-cirurgião, que me disse que todo médico que trabalha com excesso de tensão acaba afogando isso de alguma forma. Ou bebe demais, ou fuma maconha, etc. Daí dá aquele medo: e se o cara surta e esquece um bisturi dentro da gente? E o cozinheiro do restaurante? Quem garante que ele lavou as mãos antes de começar a cozinhar?



Chega a dar um medo… mas não dá pra arriar. Senão a gente não faz mais nada na vida. E fora que a gente também tá nessa. Ou vai me dizer que você não tem um segredo ou um quase-segredo?
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Wednesday, April 27, 2005

97

Por acaso foi nesse ano, 97, que eu conheci a Lili. E hoje, depois de uns 4 anos, a gente se reencontrou.



Conheci a Lili, ou Lyss, no colégio. Ela, diferente da massa, assim como eu, era tida como séria e misteriosa. E linda. Todos os garotos eram loucos por ela. E nos tornamos amigas. Essa amizade rendeu uma coluna no Jornal do Rio Branco (da Fundação dos Rotarianos), que batalhamos pra conquistar e escrevíamos juntas, trabalhos no teatro, ensaios fotográficos, pinturas, conversas e polêmicas. Porque nos tornamos muito próximas e, infelizmente, no mundo existem pessoas que não conseguem aceitar o que é diferente delas. Achavam no colégio que éramos namoradas, e se incomodavam com a idéia ao ponto de um grupo pedir à cordenação que nos expulsasse pois éramos imorais. E nós ríamos.



Nos formamos e eu me mudei pro Rio. Ficou difícil da gente se ver mas a gente dava um jeito, se ligava, escrevia emails. Então ela se casou. Fui ao casamento e depois fui ver seu bebê recém-nascido, o Lucas. Não muito depois ela passou no vestibular de Artes Plásticas e se mudou pra BH. Foi quando “nos perdemos”. Fiquei sem o telefone dela e ela sem o meu, e ela sem computador, logo a distância aumentou. Até hoje.



4 anos depois nos encontramos na internet e pra minha surpresa ela está passeando no Rio, aqui pertindo de casa. Passamos a tarde juntas atualizando a vida e rindo, como sempre foi. O bebê já é um serelepe de 4 anos com cabelos de anjo. E ela, claro, continua linda - por dentro e por fora - como sempre foi.



Incrível como certas pessoas não passam, apesar da gente mudar dia após dia. Nós mudamos, muito, mas ainda sinto como se a tivesse visto ontem. Acho que é isso que a gente pode chamar de amigo.

Você tem algum amigo assim?
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Tuesday, April 26, 2005

96

Como o mundo é eclético. Tava lendo os jornais pela internet e acabei me deparando com duas notícias quase contrastantes: Nos Estados Unidos o rapper 50 Cent briga pelo topo das paradas com a pop Mariah Carrey. Um é o oposto do outro. Enquanto ele fala de violência, de crime, com letras que fazem apologia ao consumo de armas e drogas e ao desrespeito, ela fala de amor e de corações partidos, como sempre. Enquanto isso, na Europa, mais especificamente na Inglaterra, o brasileiro Seo Jorge virou mania, já lotando os primeiros dos cerca de 50 shows marcados pelo velho continente. E Seo Jorge, cara de origem tão humilde quanto o rapper americano, fala o quê? Que o mundo precisa saber que 99% das pessoas que vivem nas favelas não são bandidos.



Agora você me explica: por que uns olham para o bueiro enquanto há tanto céu pra olhar?
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