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Dirigidas por Moacir Chaves, as quatro atrizes cômicas (Alessandra Maestrini, Josie Antello, Danielle Barros e Maria Clara Gueiros) dão um ângulo um tanto quanto peculiar à obra de Thomas More, escrita por volta de 1516. “Utopia” é um ensaio a respeito da formação das sociedades, das formas de troca, dos meios de vida - que veio a influenciar o pensamento socialista, séculos mais tarde, com suas idéias sobre igualdade entre as pessoas.
Pequenos monólogos são montados a partir do texto, que só não se torna chato porque as atrizes mostram habilidade para atrair a platéia e distraí-la, levando a seriedade do ensaio às margens da loucura pela encenação cômica. Dou destaque à uma das últimas cenas do espetáculo, protagonizada por Gueiros com a participação das outras atrizes, onde ela comenta a fascinação absurda das sociedades pelo dinheiro em contraste com Utopia, a-ilha-ideal-para-se-viver. Bárbaro!
A direção é precisa, num texto difícil mas que não cai. A cenografia de Fernando Mello da Costa e Rostand Albuquerque, simples e adorável. A iluminação perfeita do Aurélio de Simoni. E a trilha sonora que, além de bem escolhida, conta com a participação à capella de Maestrini, considerada uma das grandes revelações do teatro musical no Brasil hoje.
A temporada no Rio acabou, mas eles estarão no Festival de Teatro de Porto Alegre, em setembro.
Fim da crítica teatral (B.O.).