Eu me recuso a acreditar que certas coisas acontecem por acaso. Não sou nem um pouco religiosa, acredito em várias coisas diferentes, que fazem sentido em momentos diferentes. Mas, de uma certa forma, acredito em destino. Não naquela coisa louca que a gente não pode mudar nada porque “Deus quis assim“, mas que, de alguma forma, algumas coisas vão acontecer, estão reservadas pra nós.
Eu, por exemplo, sei que conheceria meu ex-namorado de qualquer forma. Por acaso nos encontramos na segunda oportunidade, mas se não tivesse sido na segunda talvez fosse na terceira ou na quarta… se bem que podem ter havido mais do que duas, mas essas duas são as que a gente tem consciência. A primeira foi o intercâmbio (faríamos intercâmbio pro mesmo lugar na mesma época, mas eu não fui - o dólar dobrou e o dinheiro sumiu me dando uma das maiores frustrações da minha vida), a segunda foi como nos conhecemos, através de uma amiga minha de faculdade, assim que eu me mudei pro Rio (isso sem contar que ambos somos paulistanos, que morávamos mais ou menos perto até os dez anos dele, quando ele se mudou pro Rio).
Mas esse caso, na minha opinião, não é o mais esquisito. Nesse fim-de-semana fui pra Sampa. Chegamos, eu e o meu “namorido” Ornito na rodoviária e seguimos direto pra Guararema, com minha irmã, o “treinee de marido” dela, o Guto, meu sobrinho e minha mãe, pra conhecer a família dele. Tudo muito bom, cidade agradável, vamos almoçar na Fazenda da Estiva. Lá tem um restaurante que a família dele mantém, e logo também vai ter uma porção de chalézinhos. É um lugar lindo, uma fazenda enorme, de mil seiscentos e tralalá. Depois do almoço vamos conhecer o casarão da fazenda e… “este aqui é o quarto do meu sobrinho, que mora em Mogi das Cruzes, mas ainda mantém o quarto aqui“, disse a mãe do Guto e saiu, levando todo mundo. Eu fiquei ali, parada, com o Ornito. Eu conheço esse lugar. O Ornito achou que era deja vù ou coisa de outra encarnação. Como é o nome do sobrinho? O Ornito leu num diploma na parede: Oliver. Batata! Estive naquele quarto seis anos antes. Mas como? Pois: meu primeiro namorado, de adolescência, se mudou pra Mogi. Depois de alguns anos afastados voltamos a nos encontrar e fui ao aniversário dele, com o pessoal da escola dele, num sítio perto da cidade. No final, levamos um amigo dele em casa e o cara fez questão de nos mostrar a fazenda, que me encantou profundamente. Tomamos chá com bolo na cozinha e ele até me deu um CD de presente. Nunca mais o vi. E agora sou cunhada do primo dele, que é primo de um dos melhores amigos do Ornito.
Mundo pequeno ou coincidência ou destino? Não tenho a mínima idéia. Mas, sem dúvida, é divertidíssimo pensar nisso! Quantas pessoas ainda estarão no nosso caminho?