Monday, September 12, 2005

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Terminei o livro “Não És Tu, Brasil” do Marcelo Rubens Paiva e fiquei me perguntando: quantos que estão aí, perdidos pela política, guardam consigo algum detalhe de algo muito, muito importante? Quantos foram participantes ou coniventes com o aumento do poço (esse mesmo, que estamos enfiados, sufocados)? O livro, que mistura ficção e realidade, não deixa claro o limite da verdade, não é a intenção do autor. Omite, provavelmente, muita coisa “importante” - talvez propositalmente, talvez por “como colocar tudo?”, como selecionar “o mais importante”?

É nessas horas que eu me sinto uma criança - num outro sentido, não no que já usei aqui. Porque me sinto confusa, desprotegida. Sou da Geração 80. a geração perdida: a gente não foi bem informado sobre o mundo. Aliás, fomos poupados. Somos os bibelôs que balançam na estante postada no meio do caminho. Quem vai explicar pra gente o que acontece, o que aconteceu, pra gente entender o que acontecerá? Eu queria colo, queria que alguém me ensinasse - como novamente na escola - tudo do mundo. Porque parece que sempre vai faltar uma peça nesse imenso quebra-cabeças que é a nossa história.

Como querem que nós mudemos algo se mal sabemos o que está errado? Quem é mocinho e quem é bandido, afinal? Porque eu, sinceramente, olhando assim, com a instrução que me foi dada, tenho a sensação de que está tudo errado. E como se muda tudo?

“Coragem, coragem, eu sei.
Esta é a minha geração - nós somos o futuro!
Mas nós não temos ninguém pra lutar contra.
Aliás, nós não queríamos lutar, queríamos juntar… acreditar.
(…) Será que tudo que me dizem algum dia vai ser real?
Esta é uma canção de amor.
Esta é uma canção de amor…
Esta deveria ser uma canção de amor.”


Dan Stulbach
Dom Quixote em Algum Lugar dos Meus Sonhos (Adaptação)
(parte do primeiro monólogo) 1998.

Quem, afinal, pode nos dar respostas?

Posted by Lili at 14:46:00 | Permalink | Comments (12)