Tuesday, September 27, 2005

319

Já que perguntam… sobre o Rivotril:

Eu nunca usei nada que tirasse meu estado de consciência. Não bebo, não fumo, não consumo drogas. E nunca gostei dessa coisa de remédios controlados. Mas em 2001 teve uma greve gigante no ensino federal e eu, que cursava UniRio, tive que repor aulas intermináveis no ano seguinte - logo, não tive férias. Pra melhorar, durante o curso de Museologia (sim, provavelmente eu devo ser a única Museóloga que você conhece) tem duas disciplinas de montagem de exposição - Museografia III e IV - que são, consecutivamente, projeto e montagem. Eu peguei a primeira logo após a greve, com um “Professor Doutor” (como ele fazia questão de ser chamado) que adorava me atormentar. E como o grupo era pequeno e eu gosto da matéria, a carga caiu pra mim… e eu comecei a surtar. De verdade. Passava mal e não sabia o por quê. Achei que tinha ficado anoréxica, porque passava o dia todo enjoada, tonta, não sentia fome e assim ia. Então, durante um atendimento às pressas num Hospital por conta de uma crise, numa viagem pra Sampa, recebi o diagnóstico: labirintite.

Fiquei meio perdida depois disso. Não sabia como tratar. Fui numa médica clínica geral que me receitou tomar Dramim em caso de crise, pra cortar os efeitos. Outro me receitou Vertix, que me deixou doidinha, quase bati o carro da minha mãe. Foi então que eu resolvi procurar a mãe de um amigão meu, a Dra. Ana Cristina Rizzato, psiquiatra. E foi quando ela me receitou o Rivotril.

Morri de medo. Li a bula toda dele na farmácia, naquele livro das bulas, antes de comprar. Não sabia o que fazer com aquela receita azul na minha mão. Meus pais, farmaceuticos, ficaram preocupadíssimos: Rivotril é sossega leão, você não precisa disso. Meu pai não queria, minha mãe achou que, se a médica é de confiança, por que não? Fiz milhões de perguntas pra ela antes de tomar o remédio. Li e reli a bula, preocupada com os efeitos colaterais. “Você vai tomar subdose, duas gotas, não precisa ter medo. Vai controlar suas crises, cortar os efeitos, ajudar a realinhar.“. Tomei com medo e com acompanhamento constante. E melhorei.

Hoje em dia não tomo mais. Ele me foi tirado aos poucos, com supervisão dela. Não tenho mais crise. Talvez porque eu não me estresse mais tanto como naquela época. De qualquer forma, não abuso: se tou cansada obedeço meu corpo e descanso. E guardo o remédio que sobrou pra uma emergência - no dia-a-dia levo o Dramim na bolsa.

Não aconselho ninguém a viver de tarja-preta. Causa dependência, precisa mesmo do acompanhamento médico. Sei de casos de lapso de memória por causa do Rivotril. Eu mesma fiquei mais “peixinho dourado”, esquecidinha, depois do uso. Mas quando as coisas são feitas direito não tem problema.

Já consultei otorrino e ele me disse que minha labirintite é fraca, já tá bem melhor. Agora soube que a labirintite pode ser resultado de um choque de vértebras do pescoço, por onde passam microvasos que irrigam o labirinto, no ouvido. Sabe quando, numa batida, por exemplo, a cabeça vai pra frente e pra trás? Então. O choque das vértebras causaria um calo que dificulta a irrigação e causa a labirintite. Isso se resolveria com fisioterapia, tou pra consultar um médico a respeito.

Então, se você vai tomar ou toma Rivotril, vá com calma. Siga bem as orientações médicas que vai tudo bem. Mas procure tratar seu corpo e sua cabeça bem pra poder se livrar dele logo.

Afinal, remédio crônico significa doença crônica.

***

Aqui, o link do site da Anvisa com a bula do Rivotril para paciêntes.

***

Este post não recebe mais respostas nos comentários (por parte da autora).

Tudo o que eu podia esclarecer a respeito do medicamento já está no texto ou nas respostas de comentários dadas. Caso tenha alguma dúvida, não exite e procure um médico.

Posted by Lili at 16:54:10
Comments

60 Responses to “319”

  1. Bru says:

    Olá,

    Li todos os e-mails e resolvi fazer um comentário sobre o assunto.
    Eu tenho 27 anos, tomo Rivotril desde 2003, ou seja, 3 anos. Tive acompanhamento psiquiátrico até 2005. Tomei em paralelo Remeron ( 30 mg ). O médico queria que eu me livrasse do remédio pois disse que o mesmo causa dependência e não cura, mas sim funciona como um ótimo paliativo e pode trazer efeitos colaterais. Sempre tomei no máximo 4 gotas de Rivotril antes de dormir. É difícil conviver com a Síndrome do pânico por quatro anos. Não consigo largar do remédio porém nunca tive lapsos de memória, nem outro qualquer efeito colateral.

  2. Bru says:

    Minhas crises deram uma amenizada quando voltei com exercícios físicos porém não consigo dormir sem o Rivotril. RUIM COM ELE, PIOR SEM ELE,…
    AI, AI,..

  3. Bru says:

    Eu gostaria de saber se Síndrome do Pânico mata, se depressão, hipersensibilidade ao barulho, agorafobia e tremedeira nas mãos param com o tratamento psicológico e uso de Rivotril.
    Será que alguém pode responder ??
    Tks,
    Bru

  4. Fabíola says:

    Eu posso.

    Síndrome do pânico não mata, depressão entre os outros sintomas são capazes de sumir caso vc tenha acompanhamento psiquiátrico e psicológico.
    Quanto ao Rivotril: PARE IMEDIATAMENTE!!!!!!! ELE É MUITO MALÉFICO PRA SAÚDE, CAUSA DEPENDÊCIA, COVULSÃO, TREMOR NAS MÃOS E NO CORPO TODO. Ele é um ótimo sossega leão, ansiolítico e não anti depressivo. Também ele pode fazer com que você dependa dele assim como uma pessoa depende das pernas pra andar. RIVOTRIL DEIXA A PESSOA LESADA, MOLE E O PIOR DE TUDO: PODE MATAR !!!!!!!!!!!!!!!!!!! A ROCHE DEVERIA SER PROCESSADA E A VENDA DESSE MEDICAMENTO DEVERIA SER ILEGAL.
    NÃO TOMEM O RIVOTRIL, PAREM!!! PELO AMOR DE DEUS ELE PODE MATAR!!! MAIS DO QUE COCAÍNA, BEBIDAS ALCÓOLICAS, ENFIM. NÃO TOMEM ESSE MEDICAMENTO. TOMEI DURANTE 15 ANOS E HOJE SOFRO DE UMA SÉRIE DE MALES DEVIDO À ESSE MEDICAMENTO. COMO EXEMPLO: MAL DE PARKINSON, OSCILAÇÕES DE TEMPERATURA E ÚLCERA.

    N

  5. Anderson L. says:

    Olá bom dia, minha namorada toma rivotril de 2mg, ja fazem alguns meses uns 7meses acho eu, entao nao estava fazendo efeito pois ela tomava 1 por noite, dai por livre espontania vontade ela se medicou com 4 comprimidos por noite pra tentar dormir, pois ela tem insonia. Ja conversamos e tudo mais nao sei mais o que fazer pra ela procurar um medico ou sei la fazer algum tipo de tratamento.
    O que eu gostaria de saber é: o que pode acontecer com ela tomando 4 compridos por noirte para tentar dormir, quais sao as reaçoes de seu organismo, no que esse remedio ira prejudicala, ou se o melhor mesmo é fazer algum tipo de tratamento…
    Gratos,
    Anderson L.

  6. Anderson says:

    Olá bom dia, minha namorada toma rivotril de 2mg, ja fazem alguns meses uns 7meses acho eu, entao nao estava fazendo efeito pois ela tomava 1 por noite, dai por livre espontania vontade ela se medicou com 4 comprimidos por noite pra tentar dormir, pois ela tem insonia. Ja conversamos e tudo mais nao sei mais o que fazer pra ela procurar um medico ou sei la fazer algum tipo de tratamento.
    O que eu gostaria de saber é: o que pode acontecer com ela tomando 4 compridos por noite para tentar dormir, quais sao as reaçoes de seu organismo, no que esse remedio ira prejudicala, ou se o melhor mesmo é fazer algum tipo de tratamento…será que á alguém que possa me ajudar?
    Gratos,
    Anderson L.

  7. Luzinete Santos Almeida says:

    Tomo Dramin porém me dar muito sono, tem algum problema a ingestão do Dramin com bebida alccólica

  8. Luzinete Santos Almeida says:

    Tomo Dramin porém me dar muito sono, tem algum problema a ingestão do Dramin com bebida alccólica

  9. wiliam souza says:

    Tenho observado no consultório a reação de alguns pacientes em relação ao Rivotril. Realmente ele diminui bem os efeitos adversos da fluoxetina (antidepressivo, inibidor da recaptação de serotonina) e diminui crises de ansiedade. No entanto quando se administra o Rivotril sem prescrição médica, pode ser estabelecido um critério de dependência, principalmente quando a pessoa tem um Rivotril na gaveta e tomando doses ilusórias toda vez que é submetida a algum estress, como se fosse um comprimido mágico. Em pacientes onde a dosagem é alta realmente em muitos casos acontece problemas referentes a memória, em outros até insônia, apesar de o rivotril ser um ansiolítico.

    wiliam (Psicólogo Clinico)

  10. paulo ricardo says:

    ola td bem ? espero que sim, bem achei mt interessante seus comentarios , sobre o rivotril ,infelizmente tenho todas as caracteristicas sobre labirintite , dores de cabeça etc.. Gostaria de saber onde fica o consultório da Dra. Ana Cristina Rizzato ? telefone ? mt grato abraços!!!