Já sentiu que sua vida estava desatualizada? Que você estava fazendo algo que um dia quis mas que então não queria mais, não fazia mais sentido? Sabe quando você sente que cumpriu uma etapa da sua vida mas, por algum motivo, ela continua acontecendo?
Eu tava me sentindo assim.
Quando eu era adolescente (mais ou menos aos meus 13 anos) eu morria de vontade de ter um piercing no nariz. Usava um postiço com cara de real, tinha a cabeça raspada (sim, com 13 anos), cara de alternativa, colecionava rock pesado. Eu era assim. Por dentro isso combinava comigo, logo por fora também. Talvez porque em Sampa você tenha que ser alguma coisa e como eu não me identificava com a vida dos-que-seguem-modinhas eu virei “rebelde“. Fiquei muitos anos assim. Até eu me mudar pro Rio, mais ou menos (2000). Aqui eu descobri uma das coisas mais legais do mundo: não ter rótulo, não ter que ser nada. Porque, nesse sentido, o Rio é uma cidade muito democrática - cada um se veste como quer, todo mundo fica muito à vontade. Então comecei a mudar meu guarda-roupas (e consequentemente mudar meu “dentro”). Me lembro com carinho da minha época de rebelde mas me sinto melhor hoje.
Pois esse ano eu tive a possibilidade de realizar um sonho (Graças à minha linda futura sócia, Thaice). Ganhei o sonho de presente de aniversário, em julho, e curti tudo o que podia, até ontem. Porque percebi que esse foi meu sonho, mas não era mais e que, internamente, ele não combinava mais comigo. Então segui o Michel Melamed e regurgitei meu piercing (o Melamed diz que a gente já engole coisa demais, que está na hora de aprendermos a regurgitar as coisas, o que ele chama de regurgitofagia*).
E fiquei feliz. Por ter realizado um sonho. Por ter tido essa possibilidade. Por ter superado uma fase. Por me sentir bem com isso.
Próxima etapa, por favor! Fritas pra acompanhar.
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*MELAMED, Michel. Regurgitofagia. Rio de Janeiro: Ed. Objetiva, 2005.