“Dois Filhos de Francisco“, de Breno Silveira.
Pois então ficamos sabendo que esses garotos fizeram uma obra magnífica? Pois é. O pessoal da Conspiração surpreedeu. O que era pra ser um filmeco bobo, sobre a história de uma das tantas duplas sertanejas brasileiras que seria assistido apenas pelos seus fãs mais ardorosos, acabou virando representante brasileiro na corrida do Oscar e a maior bilheteria do ano no país. Todo mundo viu (ok, quase todo mundo). E essa audição em massa se deve ao povo da Conspira, que fez roteiro, produção, escolha de elenco, tudo. Palmas para eles.
A história não é da dupla especificamente. Claro, é sim, mas não no sentido emocional da coisa. O roteiro é feito pra comover, pra tocar: o conflito é universal. É um pai que sonha com um futuro melhor para os filhos. Quer conflito mais universal que esse? Pois dois dos tantos filhos são os, hoje, superfamosos Zezé di Camargo & Luciano. Mas não se assuste, eles mal aparecem no longa, por incrível que pareça. A história se concentra mais na infância do que na adolescência ou na vida adulta, e mesmo na vida adulta quem dá o tom é o não-estreante mas descoberto Márcio Kieling (Zezé). Mas os ladrões de cena são, definitivamente, o pai Francisco (Ângelo Antônio) e a mãe Helena (Dira Paes), absortos pelos papéis, impecáveis.
O roteiro é bom, bem traçado, redondo. A luz, a fotografia, a edição, o som - tudo perfeitamente calculado pra agradar. As atuações perfeitas (inclusive dos meninos Dáblio Moreira e Marcos Henrique). Mas pra ser perfeito tinham que ter amenizado a publicidade do patrocinador: tudo bem botar o Bradesco na tela, mas que pelo menos o logo da marca fosse condizente com a época.
Em resumo, vale. E como vale. Emociona, é bem feito, e mostra como todos temos em comum os mesmos desejos de felicidade.
Fim da crônica cinematográfica (Fim).
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“Dança Lenta no Local do Crime“, de Luiz Valcarazas.
O texto, da dácada de 60, está um pouco desatualizado (óbvio), mas ao mesmo tempo, em muitas coisas, continua bem atual. William Hunley, o autor, soube muito bem questionar os valores sociais quando escreveu esta peça. Três personagens, três conflitos que se ligam num mesmo novelo. O texto é bárbaro. Mas sim, é datado. E esse, pra mim, foi um equívoco na montagem de Valcazaras: por que tentar atualizar, no tempo, a história? Levou ao primeiro erro de lógica: um dos personagens (o Sr. Glass) não condizia com a idade que ele deveria ter hoje. Mas ok, isso não fica muito-muito claro de cara.
O cenário é uma graça, a luz idem. Mas o figurino fica meio solto no ar, como se cada personagem fizesse parte de uma década diferente (será proposital?). O Sr. Glass (Antônio Galleão) parecia saído dos anos 60, Rosie (Regiane Alves) dos 80 e Randall, nessa montagem o RD, (Rogério Britto) dos 90. Além disso, um problema claramente aparece (para quem conhece o original, já que o público leigo apreciou tudo espontaneamente): Antônio Galleão e Regiane Alves não atribuem a seus personagens o peso que eles realmente precisavam ter, fazendo com que Rogério Britto carregue o espetáculo nas costas sozinho. Isso talvez aconteça pela adaptação cheia de buracos em relação ao original, mas fica faltando força e impacto em algumas cenas, especialmente na cena final, que morre um tanto frouxa.
Mas essa é uma crônica idealista, de alguém que gosta muito do texto original e esperava outra coisa dessa montagem, porque no fim eles conseguem fazer um bom espetáculo, com ritmo, com graça e contando bem a história. Mas que podia ser mais, podia.
Fim da crônica teatral (b.o., baixa o pano).
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“Corra, Lola, Corra“, de Tom Tykwer.
Acho que todo mundo já ouviu falar desse filme. Foi um ícone dos anos 90: o primeiro longa no mais-estilo-videoclipe aprofundando as questões filosóficas de mundo. Ele, se não é “o” precursor é um dos, do Matrix e todos esses filmes rápidos e inteligentes que questionam muito mais do que a realidade, entrando no setor filosofia.
Mas apesar do desconto por ser um precursor, assistindo hoje, 2005, depois de tantos seguidores, sinto as falhas. Lola (Franka Potente) não é muito expressiva, assim como seu namorado Manni (Moritz Bleibtreu), o que distancia um pouco a história do público. A montagem é bem feita, mas algumas partes da edição poderiam ter sido feitas “mais ágeis”, evitando o tédio de se ver por muito tempo o que já foi visto. O roteiro é ótimo mas acredito que poderiam ter aprofundado o “so what?“, levando ainda mais o público à reflexão. Mas ok, ok… a idéia e o período salvam tudo. Lola é um ícone.
Fim da crônica cinematográfica (ende).