Já que perguntam… sobre o Rivotril:
Eu nunca usei nada que tirasse meu estado de consciência. Não bebo, não fumo, não consumo drogas. E nunca gostei dessa coisa de remédios controlados. Mas em 2001 teve uma greve gigante no ensino federal e eu, que cursava UniRio, tive que repor aulas intermináveis no ano seguinte - logo, não tive férias. Pra melhorar, durante o curso de Museologia (sim, provavelmente eu devo ser a única Museóloga que você conhece) tem duas disciplinas de montagem de exposição - Museografia III e IV - que são, consecutivamente, projeto e montagem. Eu peguei a primeira logo após a greve, com um “Professor Doutor” (como ele fazia questão de ser chamado) que adorava me atormentar. E como o grupo era pequeno e eu gosto da matéria, a carga caiu pra mim… e eu comecei a surtar. De verdade. Passava mal e não sabia o por quê. Achei que tinha ficado anoréxica, porque passava o dia todo enjoada, tonta, não sentia fome e assim ia. Então, durante um atendimento às pressas num Hospital por conta de uma crise, numa viagem pra Sampa, recebi o diagnóstico: labirintite.
Fiquei meio perdida depois disso. Não sabia como tratar. Fui numa médica clínica geral que me receitou tomar Dramim em caso de crise, pra cortar os efeitos. Outro me receitou Vertix, que me deixou doidinha, quase bati o carro da minha mãe. Foi então que eu resolvi procurar a mãe de um amigão meu, a Dra. Ana Cristina Rizzato, psiquiatra. E foi quando ela me receitou o Rivotril.
Morri de medo. Li a bula toda dele na farmácia, naquele livro das bulas, antes de comprar. Não sabia o que fazer com aquela receita azul na minha mão. Meus pais, farmaceuticos, ficaram preocupadíssimos: Rivotril é sossega leão, você não precisa disso. Meu pai não queria, minha mãe achou que, se a médica é de confiança, por que não? Fiz milhões de perguntas pra ela antes de tomar o remédio. Li e reli a bula, preocupada com os efeitos colaterais. “Você vai tomar subdose, duas gotas, não precisa ter medo. Vai controlar suas crises, cortar os efeitos, ajudar a realinhar.“. Tomei com medo e com acompanhamento constante. E melhorei.
Hoje em dia não tomo mais. Ele me foi tirado aos poucos, com supervisão dela. Não tenho mais crise. Talvez porque eu não me estresse mais tanto como naquela época. De qualquer forma, não abuso: se tou cansada obedeço meu corpo e descanso. E guardo o remédio que sobrou pra uma emergência - no dia-a-dia levo o Dramim na bolsa.
Não aconselho ninguém a viver de tarja-preta. Causa dependência, precisa mesmo do acompanhamento médico. Sei de casos de lapso de memória por causa do Rivotril. Eu mesma fiquei mais “peixinho dourado”, esquecidinha, depois do uso. Mas quando as coisas são feitas direito não tem problema.
Já consultei otorrino e ele me disse que minha labirintite é fraca, já tá bem melhor. Agora soube que a labirintite pode ser resultado de um choque de vértebras do pescoço, por onde passam microvasos que irrigam o labirinto, no ouvido. Sabe quando, numa batida, por exemplo, a cabeça vai pra frente e pra trás? Então. O choque das vértebras causaria um calo que dificulta a irrigação e causa a labirintite. Isso se resolveria com fisioterapia, tou pra consultar um médico a respeito.
Então, se você vai tomar ou toma Rivotril, vá com calma. Siga bem as orientações médicas que vai tudo bem. Mas procure tratar seu corpo e sua cabeça bem pra poder se livrar dele logo.
Afinal, remédio crônico significa doença crônica.
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Aqui, o link do site da Anvisa com a bula do Rivotril para paciêntes.
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Este post não recebe mais respostas nos comentários (por parte da autora).
Tudo o que eu podia esclarecer a respeito do medicamento já está no texto ou nas respostas de comentários dadas. Caso tenha alguma dúvida, não exite e procure um médico.