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Um filme exagerado, over. Veja que não estou falando que ele é ruim, apenas que é exagerado.
“Dublê de Corpo” é um filme estranho: um pouco previsível, um pouco surpreendente. Os desfechos se tornam previsíveis, mas os acontecimentos são realmente surpreendentes. O filme tem acontecimentos tão malucos que fica difícil até mesmo fazer uma resenha da sinopse sem comprometer o olhar do espectador.
Graig Wasson (como Jake Scully) não está um excelente ator, Melanie Griffith (Holly Hollywood) ainda não dá sinais o suficiente de que se tornaria uma boa atriz e Gregg Henry (Sam) tem atuação muito óbvia. Entretanto, não dá pra dizer que o filme é ruim: o argumento salva. É um filme dentro de um filme que trás, o tempo todo, a metalinguagem à tona. Não chega a ser o embrião do Matrix, mas é uma bela surpresa nesse sentido.
Quanto à produção, relevemos que se trata do início dos anos 80 (1984) e tudo é um tanto precário. A direção é boa, a trilha envolvente e tensa, mas o resto da produção é um tanto mais ou menos. Talvez porque seja tudo datado demais. É fraco, mas é um filme que até vale a pena ver.
Fim da crônica cinematográfica (The End).
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“Coisas Belas e Sujas“, de Stephen Frears.
Um imigrante ilegal em Londres começa a descobrir um mundo estranho a partir do hotel onde trabalha. Talvez essa seja a linha principal do filme, mas vai muito além. É um filme que fala das coisas que acontecem o tempo todo pelo mundo e que não vemos porque somos acondicionados a não enxergá-las.
Chiwetel Ejiotor (Okwe) se mostra muito bem: sua interpretação é sensível, sem exageros mas detalhada. Audrey Tautou (Senay Gelik) entretando não encanta tanto como em Amélie Poulain*, talvez pela densidade que sua personagem mereça. Os outros atores ajudam a segurar o filme, mas a falta de um climax deixa o filme abaixo das espectativas.
As cores do filme são lindas. A arte é bem planejada, levando em consideração esse mundo estrangeiro paralelo dentro de Londres. A edição merecia mais atenção, talvez um outro ritmo. A trilha passa ao longe. A direção e o roteiro, no fim das contas, não surpreendem, não apreendem o suficiente: o filme fica no meio do caminho, não aproveita bem o argumento.
Até vale, mas…
Fim da crônica cinematográfica (the end).
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“Bem-Me-Quer, Mal-Me-Quer“, de Laetitia Colombani.
Audrey Tautou (Angélique) é linda, mas precisa de boa direção. Essa é a maior lição técnica do filme. Isso porque é ela quem comanda a primeira metade do filme - cujo argumento e o roteiro são interessantíssimos, apesar de algumas falhas que nos levam a questionar a inteligência dos franceses - mas não consegue erguer sozinha porque, claramente, não está sendo dirigida. Colombani se preocupa com outras coisas e não com a direção de atores de seu filme, o que leva ao disperdício da primeira parte, um tanto perdida e arrastada, com atores entregando as ações antes que elas aconteçam.
Isso fica visível porque a segunda metade, comandada por Samuel Le Bihan (Loic), o filme pega outro fôlego. Le Bihan está mais preparado que Tautou, e isso fica mais do que explícito. Sua atuação é ótima enquanto a de Tautou é simplesmente boa, apesar da rica personagem que esta tem nas mãos.
A parte técnica é outra responsável pelo péssimo andamento da primeira metade do filme: a edição é lenta, “filme francês demais“, não levando ao clima que o roteiro propõe. A trilha que poderia ajudar, por conta da edição ruim, atrapalha. A arte e a fotografia não chamam atenção. Ou seja, o filme tinha tudo pra ser bom, mas como perde metade, fica médio. Bem médio.
Fim da crônica cinematográfica (fin).
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“Laranja Mecânica“, de Stanley Kubrick.
Um clássico. Por mais que amem ou odeiem, Kubrick realmente criou um clássico. Isso é claro pelo argumento, pela direção e pela plastica, completamente atemporais. Kubrick consegue misturar clichês com novidades, e surpreender.
Apesar das controvérsias a respeito do nome do filme - no Orkut, por exemplo, ninguém consegue chegar a um conceso sobre seu significado - claramente o filme trata da alma humana e suas vontades mais escondidas - e o que se pode fazer com elas. Todas as personagens agem conforme suas vontades, cada um da sua forma, dentro da sua moral. E tudo é muito mais do que parece. Esse é um dos motivos por que o filme é universal e atemporal.
Outro é a estética: a arte foi toda baseada na vanguarda do design da década de 70, que acabava de começar (o filme é de 1971). E como toda estética extrema não vinga, não prossegue (talvez pela falta de dinheiro para continuar em prática), Kubrick conseguiu um ambiente diferente, mais do que moderno, alheio a qualquer coisa que se há de inventar mas já inventado, e que não fica nem um pouco datado. E a mistura do velho com o novo, as excentricidades, todos os detalhes visuais fazem do filme um mundo paralelo, além, mas extremamente real.
Malcom McDowell (Alex) tem uma atuação rica, expressiva, mesmo quando mal pode se expressar. Os atores à sua volta completam o jogo da forma certa, como um relógio. Tudo funciona bem em “Laranja Mecânica”: edição, trilha sonora, fotografia, luz, arte, direção. Tudo parece milimétricamente calculado para segurar a trama complexa, que trata de muitas coisas ao mesmo tempo sem tratar de nenhuma “polêmica” especificamente, como é tão comum nos filmes que querem fazer refletir
Resumindo: Laranja Mecânica é uma obra-prima. Precisa ser visto.
Fim da crônica cinematográfica (The End!).
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(* Filme já comentado aqui, siga o link)