Pronto. Crônicas atualizadas. Ufa! =)
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“Dinheiro Grátis“, de Michel Melamed.
Um programa de auditório. É isso que Michel Melamed faz em cena, na arena do Teatro Espaço Sesc. O público entra com ele em cena, o público se acomoda e conversa com ele. Ele começa o espetáculo ninguém sabe muito bem quando. E ninguém vê a hora passar.
A performance-filosófico-político-teatral de Melamed é impressionante. O público fica inquieto diante de seu leilão de cultura. Tudo é perfeitamente calculado da mesma forma que é de um improviso anárquico espantoso. A participação do público é animada, até ansiosa, num misto de inconformismo e aceitação. Diverte e revolta. Melamed brinca com as referências, com os valores, com o tempo, que ninguém vê passar. E ele vai embora sem ninguém saber muito bem quando.
A luz e o cenário encaixam bem à proposta do espetáculo. A trilha sonora é bem calculada e requer do operador de som muita atenção. A direção surpreende e Melamed impera, do início ao fim.
Fim da crônica teatral. (B.O.)
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“Os Homens São de Marte… E É Pra Lá Que Eu Vou!“, de Mônica Martelli.
Na onda das produções independentes de comédia, corrente forte e vigente no Rio de Janeiro hoje, Mônica Martelli conseguiu encontrar seu lugar ao sol. Dona do texto e da atuação desse monólogo (que já passou pelos menores espaços da cidade e hoje ocupa o horário nobre do Teatro Vanucci, no Shopping da Gávea), ela mostra para a platéia o que esta quer ver: piadas estereotipadas e humor fácil, às custas de uma mulher que tenta desesperadamente se encontrar emocionalmente.
Martelli consegue segurar bem a platéia durante mais de uma hora de espetáculo, mas ainda assim peca pelo excesso de cacoetes, desde o trabalho de texto até a expressão corporal. O texto agrada a grande maioria, que faz parte do mundo retratado pela autora (um mundo de máscaras sociais e trios elétricos), e em algumas poucas partes salpica piadas realmente inteligentes e não-óbvias.
Se você tem humor difícil, não vá ver. Mas se você gosta de um bom besteirol, é um prato cheio.
Fim da crônica teatral. (baixa o pano, b.o.)
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“Monty Pithon em A Vida de Brian“, de Terry Jones.
É muito difícil falar desse filme. “A Vida de Brian” é um filme espantoso. O filme mostra a trajetória Brian, um contemporâneo de Cristo em Jerusalém. Conta com participações especiais (como George Harrison, que ajuda a encerrar o filme da forma mais estranha possível) além da equipe habitual do grupo.
Tecnicamente é muito bem produzido, mesmo com todas as restrições da época (1979). Conta com um certo exagero na cenografia e no figurino, mas que caem bem na obra como um todo.
Não há muito mais o que falar. É um filme impressionante, que merece ser visto. E que vai bem na discussão atual das charges religiosas nos jornais.
Fim da crônica cinematográfica (The End).
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“Monty Pithon e O Sentido da Vida“, de Terry Jones e Terry Gilliam.
Uma série de esquetes, que passam por diversas épocas da história universal, que tentam explicar, na versão dos malucos do Monty Pithon, o sentido da vida.
Mais um filme ousado, mas sem tanta força e graça como “A Vida de Brian”, por exemplo. Foi o último filme produzido pelo Monty Pithon, o que acabou sendo uma combinação estranha: tecnicamente é sua melhor produção, mas dessa vez eles erram um pouco a mão em algumas das esquetes e abusam da escatologia sem grande fundamento. Mesmo assim algumas das esquetes são muito interessantes, como a da família suburbana católica apostólica romana.
Não vale muito a pena. A não ser que você goste muito das obras do grupo.
Fim da crônica cinematográfica (the end).
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“Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes“, de Guy Richie.
O filme pré-Snatch (Porcos e Diamantes) já anuncia o que viria depois, aprimorado. Sequencias interessantes, boas trilhas sonoras, uma edição sagaz e um roteiro justo, enrolado e dinâmico.
O filme ainda não contou com o fio da direção que Guy Richie veio a alcançar depois, mas é um bom filme trama&perseguição. A edição é bem feita, mas ainda um pouco lenta para o que a trama pede. Tecnicamente é bem estruturado, mas não conta com personagens tão fortes nem atores tão bem colocados.
Vale, mas fica longe de Snatch.
Fim da crônica cinematográfica (the end).
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“Noites de Cabíria“, de Federico Fellini.
Um clássico do cinema mundial, “Noites de Cabíria” carrega consigo toda uma estética e uma personalidade próprios. Um filme bonito e melancólico, comovente, com a atuação profunda de Giullieta Masina como Cabiria.
Ainda da geração preto & branco, tem uma estética especial, que explicita o conflito entre a formalidade e a informalidade da época (o final da década de 50), uma fotografia interessante, edição e direção justas. Mas o forte são, definitivamente, a atuação de Giullieta e os climas propostos pelo diretor, que promovem constantes mudanças de sentimentos e sensações em quem assiste.
Não é pra todos os gostos. Mas é lindo.
Fim da crônica cinematográfica (Fin).
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“A Marcha dos Pinguins“, de Luc Jacquet.
“É como assistir ao Discovery Channel sem poder trocar o canal”. A frase que ouvi de um amigo é perfeita para sintetizar “A Marcha dos Pinguins”.
O filme, um documentário sobre a procriação de uma espécie de pinguins do pólo sul, é a gravação de um período da vida desses animais, acrescida de uma boa edição e de uma não-tão-boa narração. Narração essa que poderia ser suspensa, ou diminuida, já que muitas vezes a “voz dos pinguins” atrapalha ou mesmo enjoa. Algumas sequências são longas e a trilha sonora um tanto melada demais, mas não deixa de ser um filme interessante - desde que você tenha paciência para documentários.
Fim da crônica cinematográfica. (fin)
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“Colateral“, de Michael Mann.
Uma corrida de taxi acaba se tornando um grande tormento para o taxista. Assim poderia ser resumido “Colateral”, já que todos os méritos do filme são de Jamie Foxx, que interpreta o controlado taxista Max.
O filme, em geral, é solto, lento, o contrário do que seu argumento propõe. A tentativa do diretor de colocar o foco na relação de Max (Foxx) e Vincent (Tom Cruise) frustra-se quase que completamente. Cruise não está no seu melhor e provavelmente nem seria o melhor nome para o papel. A trama, que poderia ser mais envolvente, cai muito no clichê e, sem a ajuda da edição ou da trilha sonora, fica sonolenta.
Se quiser um bom filme de ação procure outro.
Fim da crônica cinematográfica. (the end)
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“O Homem Que Copiava“, de Jorge Furtado.
Um filme simples, de narrativa envolvente, de argumento forte e surpreendente. “O Homem que Copiava” faz parte da nova safra do cinema brasileiro e vem recheado de boas interpretações e técnicas.
André (Lázaro Ramos) é operador de fotocopiadora de uma pequena papelaria, que tem uma visão de mundo realista e muito particular e sonha com Sílvia (Leandra Leal). Ramos e Leal formam uma boa dupla, fazendo um ótimo trabalho, e são ajudados por Luana Piovani e Pedro Cardoso, em papéis de seus números.
A parte técnica é muito boa. Conta com uma boa trilha sonora, argumento e roteiro bem preparados, edição e efeitos especiais bem colocados. A direção não é esplendorosa, apenas justa, mas o filme tem um resultado muito interessante, vale a pena.
Fim da crônica cinematográfica. (Fim)
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“Um Copo de Cólera“, de Aluisio Abranches.
Lento. Muito lento. O filme baseado no livro de Raduam Nassar, com seu trabalho ansioso e sem pontuação, peca pela indefinição na linguagem.
Julia Lemmertz tem momentos de brilho, assim como Alexandre Borges, mas ambos não são nem um pouco ajudados pelo roteiro. Aparentemente se preocuparam muito com as cenas picantes (e muito picantes) e esqueceram de pensar no resto da trama. A indefinição de linguagem, com o personagem de Borges conversando desnecessariamente com a câmera em vez de sua voz entrar em off, ou a grande discussão entre os dois, que não teve sua linguagem adaptada para diálogo, deixam o filme distante e, consequentemente, vazio, o oposto da proposta de livro e filme. A partir daí nada mais ajuda. Uma pena. Acaba só valendo mesmo pelas cenas de sexo.
Fim da crônica cinematográfica. (fim)
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“Frida“, de Julie Taymor.
Lindo. Comovente. Inquietante.
A história da pintora Frida Kahlo é lindamente retratada nesse filme, que tem como protagonista Salma Hayek, encantadora. O roteiro, bem estruturado, é ajudado pela edição bem planejada e pela direção certeira das cenas. O carisma de Hayek, assim como o de Alfred Molina (Diego Rivera) e a química dos dois são indispensáveis para o andamento da obra e o encantamento do público.
Tecnicamente o filme tem o pequeno problema de não ser falado em espanhol, o que daria mais vivacidade. Entretando, a ambientação é tão bem feita, a trilha sonora, a escolha do elenco secundário (com a pequena excessão de Geoffrey Rush, que não convence muito como Trótski), a fotografia, que o problema do idioma acaba sumindo. Além disso, houve a ótima idéia - muito bem executada, por sinal - de animar os quadros de Frida durante o filme, contextualizando-os e tornando sua obra mais profunda e encantadora.
Na versão em DVD ainda é possível ver uma porção de extras, da história de Frida Kahlo detalhada, até entrevistas e making of.
Fim da crônica cinematográfica (The End).
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