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Eu descobri que eu tenho um defeito péssimo. Eu tenho vergonha. Vergonha de não saber. E quem tem vergonha de não saber acaba tendo vergonha de aprender, de errar e de ser imperfeito. Eu descobri há pouco que eu carrego comigo isso há muito tempo. Eu nunca tinha tido consciência de como era importante pra mim parecer “perfeita” aos olhos dos outros. Isso significa, na verdade, que sempre atribuí valor demais a coisas que não tinham tanto valor assim. Porque nada tem tanto vaor assim. Mas na minha cabeça sempre foi muito importante levar tudo a sério, levar os outros a sério. Me levar a sério. E na verdade, nada é sério. Nada. Porque tudo é passível de erro e de mudança. Tudo é só uma parte. Não dá pra deixar que pequenas coisas rejar o mundo. Só que eu sempre deixei. Nunca criei tempestade em copo d’água. Sou até muito prática na realização das coisas. Mas a praticidade que eu carrego pra realização eu não carrego pra idealização. Então fica sempre a impressão de que eu sou mal-humorada. De que eu sofro em fazer qualquer coisa. Que eu não gosto das coisas quando na verdade nada disso é realmente o que eu sinto. Mas ao mesmo tempo eu me sinto extremamente angustiada de “ter” que fazer qualquer coisa. E descobri que este é o elo do problema. Só EU acho que eu TENHO que fazer alguma coisa. Ninguém mais acha. E eu fico com a sensação de que eu posso decepcionar as pessoas por não fazer e elas ficam com a sensação de que eu não estou fazendo de bom grado. Porque fica parecendo que eu faço sem querer fazer. Às vezes eu faço certas coisas sem querer fazer, mas é excessão. Na maior parte das vezes eu faço as coisas com vontade. Mas não consigo passar essa sensação porque me viciei em atrelar valores. Em tudo. Valores excessivos, quero dizer, porque tudo tem seu valor. Mas eu sem querer me coloco numa situação como se tudo fosse muito importante quando na verdade não é. E fico com medo de não dar conta, de errar, de ser ridícula e não fazer direito e decepcionar as pessoas. E elas nem estão preocupadas com isso. Ao contrário. A maior parte das pessoas espera primeiro o erro. E eu fico me cobrando demais e pareço arrogante querendo ser perfeita. Entende como é tudo um ciclo? Eu fico com medo de ser errada e erro por causa do meu medo. Eu fico querendo parecer certa e não pareço por querer demais.
É disso que eu tou tentando me libertar. Tou tentando aprender a lidar comigo, com as minhas imperfeições. Rir de mim mesma. Me esculachar. Mas é difícil fazer isso. Porque eu tenho um comportamento viciado em tentar aparentar ordem o tempo inteiro, mesmo quando eu estou no caos.
Essa é minha missão, comigo mesma, a partir de agora. Não quero compromisso com minha certeza. Tou aqui pra tentar. Não vou fazer disso uma obrigação porque senão caio na mesma armadilha, mas acredito que vai ser muito bom pra mim, então eu quero me propor esse desafio.
Acho que por enquanto é o que eu consigo falar. Porque descobri que eu não sei quase nada a respeito de mim mesma.
Que se inicie a etapa de liberação de mim! =)

