Tuesday, August 29, 2006

496

Tou enrolada. Adianta explicar por que eu não tou conseguindo postar? Acho que não.

Mas uma coisa eu te digo: ai que vontade de jogar esses papéis todos pela janela!…

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Friday, August 25, 2006

495

No 5° período da faculdade eu tive uma matéria de desenho técnico, de plantas de exposição. A maior parte dos alunos não tava nem aí, nunca tinham aprendido a desenhar então não seria em menos de seis meses que se transformariam em ases do esquadro e do escalímetro. Só que eu desenho desde criança. Sempre gostei. E pior (ou melhor): desenho sempre linhas retas.

Claro que isso me ajudou muito nessa matéria. Fazer planta baixa é bico pra quem tem mão pra linha reta. Mas mesmo assim eu consegui a implicância com um dos professores (a matéria tinha dois ou três, por causa de substituições, greves, aposentadorias, coisas de universidade pública) que não se conformava com minhas linhas retas. Pra ele eu ficava horas tentando fazê-las. E me alugava com “solta essa mão, menina! Pára de tentar acertar a linha!” ou “Você acha que o Niemeyer fica tentando fazer linha reta logo de cara? Já viu como o traço dele é torto?”. E não adiantava falar que assim como o traço do Lan é curvo o meu é reto e que eu pouco me importava que o Niemeyer não sabe desenhar (já viu os garranchos iniciais dele?), ele teimava em implicar comigo.

Aí você vai achar que algo mirabolante aconteceu e como um conto-de-fadas ou uma lição-de-moral eu-me-esforcei-e-meu-traço-ficou-curvo. Não aconteceu nada disso. Eu continuo com o traço reto. Deu vontade de escrever isso agora porque eu e o Ornito estávamos em uma sessão de desenho aqui em casa e eu notei como meu acabamento é sujo, exatamente por ser reto. É que eu tava desenhando um girassol, que é todo arredondado, mas adivinha se o redondo é minha praia?

E tem problema? Não, não tem. Continuo com minha linha reta e suja, com minha invasão espacial triangular* e tudo fica bem no Reino da Dinamarca.

O caminho mais rápido entre dois pontos não é mesmo uma reta? ;)

 

A prova do crime (dá pra enxergar?)

*Eu tenho uma mania de longa data de desenhar triângulos por toda parte. Eles vem em bando e nunca se encontram ou se cruzam, mas ficam sempre muito próximos uns dos outros. Sou capaz de encher uma folha ofício com muitos deles em pouquíssimo tempo, acredite.

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Saturday, August 19, 2006

494

Achei de novo a placa do cara: João Bettencourt, PSDB-RJ.

Entrei no site dele e tudo o que ele propõe é o voto aberto na câmara e meia entrada estudantil pra todo e qualquer evento esportivo ou cultural no Estado do Rio.

Bobagens.

Quem é da área de artes tá calejado de saber que os preços de todos os eventos que são obrigados a dar meia entrada subiu pro dobro pra poder cobrir despesas. Ou seja: a meia agora tem valor de inteira e a inteira de dobro, porque qualquer um tira carteira de estudante hoje e o governo não ajuda em nada esses espetáculos, simplesmente obriga a dar desconto. (Imagina se todos os comércios fossem obrigados a dar desconto de 50% em seus produtos para estudantes, sem nenhum respaldo ou abatimento de impostos. Você realmente acha isso justo? Quem trabalha não merece receber pelo que faz?)

Enfim. O cara, além de não propôr nada de bom (ou novo, porque já deve ter projeto de voto aberto parado na câmara - pra eles isso não interessa), ainda tem esse lema horrível “Não Reclame. Vote!”.

Pra não entrar na dele mandei um email reclamando, que resolvi postar abaixo. (Se você quiser não entrar na dele também o email dele é contato@naoreclamevote.com.br .)

Caro João Bettencourt:

Você não acha que o lema de sua campanha - Não reclame. Vote! - é um desestímulo à população? A partir do momento que você “proclama” (porque usa o verbo no imperativo) a não reclamar você incentiva a população a se manter calada diante de toda e qualquer falha, não só na política, como em toda a sociedade. Não seria mais adequado incentivar as pessoas não somente a reclamar (o que são, afinal, os movimentos populares - como os contra a ditadura, que levaram às Diretas Já - senão reclamações coletivas?) como também a votar correto? Será que com esse lema você não está prestando um desserviço à população?
Atenciosamente,

Elisa.

Oras.

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Thursday, August 17, 2006

493

Ontem vi uma coisa que me deu nojo. Entrei no ônibus, mal sentei e vi do lado de fora uma menina segurando a placa de um candidato a Deputado com o lema “Não reclame. Vote.”.

Como assim “não reclame”? Claro que reclamo! E claro que todo mundo tem o direito de reclamar. E tem que votar. Infelizmente. Porque eu sou a favor do voto livre, sem obrigatoriedade. Porque a gente só pode protestar na obrigatoriedade se votar nulo, e olhe lá. Se votar branco vai pro que tiver com mais votos. A gente não pode nem protestar não saindo de casa do dia das eleições. Imagina que bonito que ia ser nessa eleição, a mais desanimada de toda a história por causa da conscientização (tardia, mas efetiva) da população em seus políticos, a televisão mostrando as ruas vazias, três gatos pingados de partidos políticos votando, as meninas panfletárias com um bolo de papel acumulado nas mãos. Ia ser lindo. Mas a gente não tem o direito de não concordar. E ainda tem que aguentar fulaninho não-reclame-vote na rua dois meses antes da eleição. E nem adianta falar que isso devia ser proibido porque é. Ele ainda por cima está ilegal. A gente tem que reclamar e votar, de preferência em sujeitos bem diferentes dele. Porque ele, pelo visto, é do tipo que acha que a população tem que aceitar nossos mais de 100 anos de república porca sem reclamação, sem contestação. Ah, nessas eleições tudo vai mudar, ele deve dizer. Como se os candidatos tivessem mudado. Como se os partidos tivessem mudado. Como se o sistema eleitoral brasileiro tivesse mudado. Como se o funcionamento político desse país - um parlamentarismo camuflado de presidencialismo - tivesse mudado.

Então reclame. Debata. Faça piquete. Panelaço. E vote, porque você é obrigado. Mas não vote por votar. Se não souber em quem, se não confiar em ninguém, vote nulo. E se tiver um bom político, confiável, me indique, porque eu, pessoalmente, não acredito em mais (quase) ninguém.

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Monday, August 14, 2006

492

Cocôs de cabrito à la Cris:

:: Hoje vou trabalhar de casa. Tenho que fazer planilhas no excel. Muitas. Planilhas pra peças de teatro, livros, textos, pastas com tudo isso dentro. Tenho que. Pois é.

:: As reclamações são devidas. Rodrigo, respondi os comentários. Shame on me, como diz o Ronzi. Tava longe disso há tempos. Mas tou tentando. Não sei se vocês devem me dar muita colher de chá, mas eu tou tentando.

:: Acho que tou de novo com sinusite. De novo porque assim que eu mudei pro Rio toda a poluição que eu respirei em 17 anos de Sampa resolveu me abandonar por causa da diferença de pressão atmosférica. Fui parar no hospital, fiz muita nebulização, mas sarei. Só que esse inverno quente não tá colaborando e eu tou tendo aquelas dores de cabeça que parece que meu rosto vai saltar fora da cabeça, o que é ligeiramente preocupante porque eu não saberia viver sem ele. Então vou ter que desenterrar meu aparelho de nebulização de algum lugar da minha casa que eu não sei onde é e apelar pra uma respiradinha básica, nem que seja só com soro fisiológico. Mas eu preciso respirar. E conseguir falar também. Voz rouca é sexy mas não é nada funcional.

:: Tá rolando o Rio Internacional Cello Encounter. Já fui em dois, dos 63 espetáculos gratuitos de música “clássica” que tá rolando esse mês. Vale a pena. Na 4a vou de novo, ouvir Noturno do Chopin que eu amo e As Baquianas, do Villa-Lobos. Vai ser um espetáculo e tanto, no Sesc Copa. Vale a pena, viu?

:: Como é que o Governo de São Paulo tem a pachorra de dar indulto de dia dos pais no meio de guerra civil com os presos? Não dá vontade de torcer o pescoço de um?

Posted by Lili at 14:41:28 | Permalink | Comments (6)

Sunday, August 13, 2006

491

Tou relapsa.

Tou trabalhando pacas, nem consegui escrever essa semana. A frequência que era diária já tinha caído pra dia-sim-dia-não, com a viagem abriu brecha e agora… é dose.

Vou tentar não parar. Prometo.

Mas agora é sábado à noite e um balde de pipoca com Larry Flynt e Ornito me esperam. Fazer o quê? ;) 

Posted by Lili at 02:47:23 | Permalink | Comments (2)

Thursday, August 3, 2006

490

Meus pais sempre trabalharam muito. Primeiro juntos, até os meus 14 anos, só então foi cada um pro seu ofício. Então até meus 14 anos eu tinha uma farmácia dentro de casa. Não literalmente falando, porque remédio não precisava vir o tempo todo, tava bem perto. Mas todo o clima de uma farmácia - e de um comércio, genericamente falando - e seus percalços. Um deles era o horário de funcionamento. Trabalhava-se de segunda à sexta das 8h às 21h. E, em esquema de plantão, um sábado por mês das 9h às 13h. Só a partir desse momento a gente virava uma família mais calma, com direito a estar todos juntos em casa. Quando ficávamos em casa. Porque eram outros tempos e a grana era curta mas dava pra viajar todo final de semana. E meu pai filosofava que no futuro o horário de funcionamento seria menor e com os computadores as pessoas trabalhariam menos.

Meu pai sempre cuidou mais da parte administrativa da farmácia do que a minha mãe. Até porque o negócio dela era a “cozinha” da farmácia: o laboratório. Ficava horas lá, concentrada, feliz. Mas também atendia balcão, aplicava injeção, fazia curativos, arrumava tudo e cuidava de duas crianças e uma casa. Não sei como, mas ela fazia tudo isso.

No começo era mais fácil, porque a gente morava em cima da farmácia, então qualquer zebra ela subia uma escada e tava tudo resolvido. Mas quando fiz 8 anos nossa situação finalmente melhorou um pouquinho e a gente foi pra uma casa maior, na continuação da rua. Era perto mas mais longe do que só uma escada. Mas mesmo assim ela dava conta.

E como casa e crianças não esperam muito, minha mãe sempre botou a mão na massa. Aprendeu cedo com o pai maquinista a fazer de tudo. E aplicava em casa. Levava butijão de gás escada acima, instalava, trocava tomada, fuzível, resistor de chuveiro, pintava parede, consertava quebrados aqui e ali. E eu sempre ficava do lado, olhando, segurando uma chave de fenda, uma fita veda-rosca. Achava interessante olhar minha mãe mexer em tudo sem medo.

Acho que por isso eu aprendi. Nunca me ensinaram exatamente como se faz. Eu olho e tento. De furadeira a chave de fenda. Eu tento. Talvez um pouco menos destemida do que ela, mas tenho até prazer nisso. Agora, por exemplo, tou toda orgulhosa da minha tomada que tava com mal-contato antes. Antes. Porque eu pus a mão na massa e ela agora funciona pro filtro que vieram instalar hoje.

E eu só tenho a casa. Imagina se tivesse crianças e uma farmácia!

Posted by Lili at 14:34:48 | Permalink | Comments (4)

Wednesday, August 2, 2006

489

- Les hommes? Il en existe, je crois, six ou sept. Je les ai aperçus il y a des années. Mais on ne sait jamais où les trouver. Le vent les promène. Ils manquent de racines, ça les gêne beaucoup.

Pelo menos o endereço é o mesmo. Pelo menos a URL é a mesma. Pelo menos o URL é o mesmo. Pelo menos é o mesmo.

Mais ou menos… (pelo menos é o que eu quero).

 

Posted by Lili at 22:16:26 | Permalink | Comments (4)

488

Chega a ser impressionante a diferença de gastos numa campanha política entre um partido e outro, entre um Estado e outro.

A fonte é o Votar em Quem?, um “wikipedia” de política brasileira, recém estreado.

Como na enciclopédia interativa eletrônica, todo mundo mexe em tudo: ou seja, toda nobreza ou podre que você souber sobre um candidato você pode alterar no site pra que todos saibam. Assim não dá mais pra alegar que não sabia onde procurar ou que a linguagem política é muito confusa.

Quero só ver como vai estar isso na semana da eleição!… 

Posted by Lili at 00:08:53 | Permalink | Comments (3)