Saturday, September 23, 2006

504

Há um tempo atrás eu descobri que tenho alergia a pêlo de cachorro. Não tenho de gatos nem de esquilos nem de ornitorrincos (ainda bem!), só de cachorros. Pra mim não foi tão ruim descobrir isso. Não tenho cachorro em casa nem pretendo ter.

Mas eu não esperava que eu ia começar a trabalhar numa casa com cachorros. Quatro, pra ser mais exata. E, pra piorar a situação de quem não está afim de contato com tais bichos… são poodles. Três fêmeas e um macho. Não podem ver ninguém chegar, não se pode sentar em lugar nenhum na casa que eles já pulam em cima, querem colo, querem lamber tua cara.

Eu faço um esforço danado pra trabalhar sem a interferência deles. Na verdade delas. Porque o macho é cego de nascença, quietinho e solitário, a única interferência que faz é o cocô andando. Porque todos fazem cocô e xixi em qualquer canto da casa, mas o macho faz andando, deixa rastro. É difícil não ser interferido por um deles em algum momento. Muito difícil. E nem tou falando das crises alérgicas. Mas eu até que tava me dando bem com eles. Tinha até escolhido uma “preferida”.

Tinha. Porque ontem, enquanto eu atendia a porta e o telefone e tentava fazer a impressora voltar a funcionar, ela mesma, a preferida, me provocou. Quando fui até minha mochila - que todos os dias fica quietinha em cima da cadeira - pegar meus óculos me deparei com o fiozinho branco do meu fone de ouvido indo até o chão. Fui puxando, devagar, receosa, até encontrar o horror: o fone direito comido, mastigado, até sem borrachinha. Na cadeira ao lado a dona destruidora olhava pra mim com cara de fiz-merda e com a borrachinha no estômago.

Minha raiva foi crescendo, e crescendo, e crescendo. Dei um berro com a cachorra, que abaixou as orelhas. Joguei o fone em cima da mesa, catei a cachorra da cadeira e joguei em direção à janela. Ela quicou na rede de segurança e voltou, voando, derrubando o vaso de orquídeas da mesa antes de cair no chão. Começou a correr, eu atrás dela. Alcancei-a e me lancei a apanhá-la, mas quando a toquei ela dilacerou minha mão esquerda. Aos berros corri pela casa atrás dela, minha mão jorrando sangue, e ao passar pela cozinha me armei com um cutelo, que estava em cima da pia. Nos reencontramos na área de serviço. Ela com todos aqueles dentes pra fora, eu com uma mão dilacerada e um cutelo. Foi quando chegou a secretária.

A desgraçada correu pra ela, abanando o rabinho. Eu joguei o cutelo dentro da pia e enfiei a mão no bolso da calça jeans, enquanto contava pra secretária, já na sala, quem tinha ligado enquanto ela estava fora.

Nos encaramos antes de eu ir embora. Mas ela não perde por esperar.

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Wednesday, September 20, 2006

503

“The future is just a fucking concept that we use to avoid living today.”

(É por isso que eu troquei as duas últimas noites por A Sete Palmos

Posted by Lili at 23:57:59 | Permalink | Comments (2)

Monday, September 18, 2006

502

A gente sempre reclama que não conhece os vizinhos. Sempre.

Eu conheci o meu. Na verdade, dos 5 apartamentos do corredor eu só não conheço um deles. Justo o porta-a-porta. Os outros três conheço em três graus. Um de anos. Por acaso. É da mesma cidade que eu nasci. Veio morar na mesma cidade, mesmo prédio, mesmo andar. Mas a gente só se falou duas vezes e nas duas eu cabeça-oca perguntei de onde a gente se conhecia. A segunda vizinha eu só dou oi e tchau. É simpática, mas nunca passou disso. Cordialidade.

O problema é o terceiro.

Ele fica na ponta oposta do corredor. E é um amor. A gente pegou o elevador junto uma vez, eu atrasada, comentei por educação, aquela coisa de papo de elevador, e ele ofereceu uma carona. Me deixou na porta de onde eu ia. E no caminho rolou um papo interessante, descobrimos afinidades, rimos. Gente boa. E aí sempre que a gente se cruza rola e-aí-tudo-bem-com-você?, beijinhos e a-gente-precisa-marcar-alguma-coisa.

Parece bom. É bom. Mas tem um problema. Descobri que a janela da área de serviço dele dá de frente pra minha.

Descobri um pouco por intuição. Pela engenharia do prédio fazia sentido. Até que um dia ele apareceu na área, me viu na cozinha e mandou um beijo.

Eu recebi um beijo do meu vizinho na cozinha da minha casa. Isso não é normal.

Não é uma questão de pudor. Eu vou continuar andando pelada na minha casa quando eu quiser, não é isso. Não tenho medo da invasão de privacidade nem nada disso.

É a curiosidade.

Quando você descobre uma janela conhecida é como se instalassem uma televisão nova na sua casa. Sempre que você passar por ela você não vai aguentar e vai olhar. Não tem como não olhar. É hipnótico. Bem televisão mesmo. Vai dizer que quando você passa na frente da casa de algum amigo, família, ex, qualquer coisa, você não dá uma espiada pra saber se fulano está lá? Espia. Só por espiar.

Pois virei prisioneira da janela da minha cozinha. E ela não desliga.

Próximo apartamento que eu for morar não vou dar nem bom dia.

Posted by Lili at 14:34:40 | Permalink | Comments (7)

Sunday, September 17, 2006

501

Sabe que eu não consigo mais escrever textos sérios? Não mais. Parei. Fico achando tudo sacal. Acho que eu tou de saco cheio das coisas sérias.

Decreto o fim da seriedade nesse blog. 

Posted by Lili at 15:10:22 | Permalink | Comments (12)

Thursday, September 14, 2006

500

Eu sempre fui meio maluca. Por ene motivos que não vem ao caso explicar agora. Mas se você me conhece você certamente vai encontrar um fácil. De qualquer forma, eu sempre fui meio maluca. E além de maluca, ultimamente eu ando um bocado confusa. Com vontade de tomar atitudes enérgicas que poriam em risco uma porção de coisas que eu tou plantando. Um pouco disso se chama stress, eu tenho plena noção. Todo mundo que passa por grandes crises de stress deve ter vontade de tacar a vida pela janela. Anteontem eu tive vontade de quebrar toda a casa - com o detalhe que a casa não era minha. Assim mesmo. Enlouquecida.

É como dizia o Sartre “Entre Quatro Paredes”: o inferno são os outros. 

Posted by Lili at 15:24:17 | Permalink | Comments (12)

Thursday, September 7, 2006

499

Quando, de repente, tudo começa a ficar diferente apesar de endireitando pro lado que você queria que fosse, mas por um caminho meio torto que a gente nem sabe se dá pra chamar de atalho, será que é melhor mudar de vez?

Posted by Lili at 22:24:49 | Permalink | Comments (10)

Wednesday, September 6, 2006

498

Quando a gente pensa que não vai encontrar nada mais bizzarro no mundo… claro. Tem que ter.

Tão roubando árvores em Ibiúna.

Juro. Não é brincadeira. Tão roubando árvores em Ibiúna.

Pra quem não sabe, Ibiúna é uma cidade pacata no interior de São Paulo. Pacata hoje, porque foi lá mesmo aquele famoso encontro estudantil que levou o Zé Dirceu preso. Hoje é uma cidadezinha pequena e simpática (não tanto quando era há 15 ou 20 anos atrás, quando eu passava por lá todos os finais de semana, quase, mas continua simpática) há umas duas horas da capital. A cidade mesmo é pequena, mas tem uma grande área “rural”. Nessa área rural existem desde casinhas de roça até condomínios de alto padrão pra quem quer sair da agitação da capital, descansar um pouco. Pois no meio termo que a coisa acontece.

Minha família tem uma casa lá desde sempre. Uma casinha no que deveria ser um condomínio fechado mas que foi um daqueles famosos golpes que quem comprou o terreno ficou sem a infraestrutura e a prefeitura diz que é particular e não pode mexer lá dentro. É tudo aberto, só as casas, claro, são muradas. E tem represa, tem IBAMA que reclama de quem derruba árvore nativa, teoricamente tem tudo isso. Mas de uns tempos pra cá a galera começou a roubar as árvores. Assim, simples. Têm lá uns Pinus de madeira boa, não é árvore nativa, eles derrubam pra vender. “Ninguém vê”. E quem vê não quer se envolver por medo de represálias. E o IBAMA não fala nada e a polícia e a prefeitura não vão lá. E as árvores tão sumindo, eles invadindo o terreno dos outros e pronto. Simples assim.

Parece mentira. Mas não é.

Aí eu fico me perguntando: o que será que acontece em toda essa nossa mata atlântica, em toda a nossa amazônia, em todo esse país lindo e imenso se, do lado da capital do Estado de São Paulo, tão roubando árvores e ninguém faz nada!?

Sim, é um post-denúncia ou post-protesto. Quem sabe. 

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Friday, September 1, 2006

497

Então. Esses dias me deu vontade de escrever sobre muitas coisas diferente. Várias idéias pra vários posts passaram pela minha cabeça. Mas claro que eu não anotei nenhuma delas então esqueci todas.

Pausa. Tá tocando Adia, da Sarah MacLachlan. Já ouviu? Devia.

Como eu tava falando. Uma das coisas que eu sei que eu pensei - sei porque foi agora há pouco - é “por que é que os adolescente de agora não gostam de teatro?”. De onde eu tirei isso? Tá lá, nos questionários que eles mesmos responderam e que eu tou tabulando. E, pra aumentar o grau de sinceridade, eles estavam protegidos pela máscara do anonimato. Mais verdade impossível. E a maior parte deles adora praia e boate, até cinema, mas quase nunca teatro. Dá um dó ver aquele quadradinho incompleto, sozinho… tadinho do teatro. Precisamos dar um jeito dele ficar mais atraente.

Que mais que eu pensei esses dias? Pensei que fazia tempo que eu não ia ao cinema. Mas fui, ontem. Assisti “O Corte”. O que significaria que uma crítica estaria por vir, mas nos tempos atuais não sei se vem não. Porque os tempinhos livres eu tou usando pra trabalhar pra mim e quando muito pra postar. Então você fique sabendo que o filme do Costa-Gavras é bom, mas não achei isso tudo. É bem original e lembra um pouco o Brasil. Na amarração do enredo. É mais político do que a primeira impressão aparenta. Mas só.

Hoje, se tudo der certo vou assistir Zuzu Angel. Tou louca pra ver. Dizem que a Patrícia Pillar tá muito bem. Não me surpreenderia. Ela é realmente ótima atriz. Só tou curiosa na Luana Piovani de Elke Maravilha. Isso porque eu me amarro na Elke. Tem pessoa mais multi-uso do bem que ela? Não tem. A Elke é o símbolo do todo, da tolerância. Pena que as pessoas só vão se dar conta disso realmente quando ela morrer. Não é assim que funciona? Ninguém dá bola pra quem faz o bem até que a pessoa morra. Foi assim com o Betinho, foi assim com tanta gente. A própria Zuzu, acho. Enfim. Mundo cão.

Eu continuo com idéias e com vontade de escrever. Mas meus dedos doem porque eu tenho trabalhado muito com eles. Com dois, em especial. Coisas de tabulação. Tenho que me cuidar pra não virar tendinite. Eu, heim. Acho então que eu vou parar por aqui.

Ah! Mais uma última coisa! Fiquei apaixonada pela nova Melissa Rock Princess + Pequeno Príncipe, da nova coleção. Linda! Mas cara. Então, pra coroar a tristeza, fui ao centro comprar material de trabalho e me dei de presente uma sandália também linda - e um terço do preço. (Mas se alguém quiser me dar de presente a Melissa, meu número é 38…)

Posted by Lili at 00:18:12 | Permalink | Comments (12)