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Quando voltava do CIEP, aqui do ladinho de casa, onde fui justificar meu voto, passou um menino vestido de Sr. Incrível de mãos dadas com a mãe, apontando pro chão e perguntando: “E o que é tudo isso espalhado na rua?”. Passei antes de ouvir a mãe completar a frase “Ah, meu filho, isso é…”. Lixo eleitoral? Falta de vergonha na cara? Publicidade ilegal em dia de eleição?
Parei antes de chegar na esquina. Olhei em volta e eram muitos papéizinhos de candidatos. Um em especial. Arraes. Alexandre Arraes. Comecei a pegar os “santinhos”. Foi quando notei que eram muitos mesmo, não daria pra recolhê-los todos nas mãos. Corri pra casa, voltei pra calçada com um saco de lixo. Recolhi, um por um, os santinhos na minha rua. Depois separei os do Arraes - a grande maioria. Enfiei o saco na mala de um dos táxis do ponto em frente do meu prédio. “Pro comitê desse moço aqui, ó!”, apontei o papel pro motorista.
Lá, uma festa. Pessoas comemorando a boa campanha de Arraes. Entrei sem ser notada. Fui até a mesa da secretária sem ser notada. Anotei o endereço da casa do homem que estava em uma agenda sem ser notada. E saí, de volta ao meu taxi, rumo à residência daquele senhor candidato tão festeiro.
Na portaria do prédio dei a sorte de alguém estar saindo quando eu queria entrar. Sorte, porque não precisei ser anunciada. Subi no elevador com o saco de lixo nas costas e da mesma forma toquei a campainha.
Me atendeu à porta um homem sorridente, de pulover, com um telefone na mão.
- Seu Arraes? Alexandre Arraes?
- Sou eu. - Confirmou sorrindo com um ar de estranhamento.
- Dá licença.
Entrei em sua sala onde sua família e seus assessores riam, comemorando a ótima campanha. Me olharam curiosos e, alguns segundos depois perplexos, enquanto eu rasgava o saco e jogava todos aqueles santinhos sujos de rua pro ar charmoso de sua residência.
- Obrigada. - Disse, saindo, enquanto todos me observavam imóveis.
Voltei pro meu taxi, pra minha rua agora limpa, pra minha casa.
Alguém tem que fazer o trabalho sujo, fazer o quê.
***
*Esta é uma obra de semi-ficção: grande parte dos momentos descritos acima não são reais.
Hahahahaha, é sério mesmo? Não é só uma crônica?!!?
Sou nova aqui no seu blog, Lili, aí não sei …….
Se for verdade verdadeira, PARABÉNS PARABÉNS PARABÉNS.
Se for uma crônica, merece que várias pessoas a leiam.
Eu fui olhando um por um dos papeiziinhos na porta da escola onde eu fui votar. Para ter certeza em quem não votar. Povo sujo, peloamordedeus.
Beijos
PS. Se for verdade, continue assim, Incrível.
Flávia Nogueira, Flávia, de boa, vc não perguntou isso sério né?
tô adorando essa tua fase cronista. tu devias publicar, isso sim. beijaum!
Bom, agora ficou evidente que o cachorro esfaqueado era mentira mesmo (já eu, ao contrário, atirei no pombo de verdade).
Realmente essa propaganda de boca-de-urna é absurda, mas Lili, não sei se em SP era diferente, mas no Rio, oito, dez anos atrás, a lixarada era muito pior. Acho que em alguns anos a gente se livra dos santinhos (já dos políticos, infelizmente, não).
bjo!
lili, não só escreve que ouço como acabei de colocar para ouvir em sua homenagem. amooooooooooooooo texas. descobri assim do nada mas já faz tempo. que voz é aquela??????? já ouviu cowboy junkies? não tem nada a ver com músuca country não. é lindo. vc sabe que toda noite, eu converso co meu namorado sobre meios de matá–las.: tiro, faca, entrar pela cozinha e sufocá=las, parar para alguém raptá-las e só devolvê-las quando os pais prometrem que elas irão pra cama bem cedo. é iso ái. sou normal então. que bom.realmente, o diabao veste prada e não alguma roupa da Xuxa. já li o livro. já vi o filme. a giselle tá lá. linda coo sempre mas se apaga quando está ao lado da glenn close. pudera! beijos e inté. “it doesn t felll right… i need to be you…i can think of instincts…i can t be sorry… so come on so come on, come on… i need to fell free….”
beijos e boa leitura and here comes the sun….
Boa, Lili. Mais cedo ou mais tarde, alguém teria que fazer o trabalho limpo. Ontem, quando fui votar, me indignei com a quantidade de “boqueiros-de-urna” (iria falar outra coisa, mas deixa pra lá) e a lixarada eleitoral com os santinhos espalhados pelas ruas da cidade. Se bem que, há cerca de dez anos, era bem pior…
Você escreve cada vez melhor, hein!
Uma engajada linda e que escreve muito bem.
Mandou bem!
E eu perguntei sério mesmo!!!!!!!! hahahaha.
É que eu tive essa vontade e como aqui a gente entra na casa dos outros desse jeitinho que vc falou, então achei que poderia ser de verdade e eu já ia entrar na dança, arranjar coragem e fazer igual………kakkkkkkkk.
Mas falando sério, sua crônica ficou ótima mesmo.
Beijos
Flávia Nogueira,
bota sujo nisso! Dá uma raiva…
Bjo.
Nil,
pelo visto sim. E por que não?
Bjo.
cris, querida,
vamos ver quanto tempo dura.
Bjo.
Rodrigo,
em SP ainda é pior. O Rio é sempre uma cidade mais limpa que Sampa, até na época de eleições. Por lá ainda existem as publicidades horrororas pintadas nos muros e os papéizinhos, esse ano - não duvido - devem ter sido o dobro daqui.
E quanto a ser verdade ou não. Depende. Até onde?
Bjo.
Karina,
acabei o livro ontem. 2h30 da madruga. Não consegui esperar mais. Muito bom.
Ah, acho que você trocou as bolas: é a Meryl Streep que faz a Miranda, não a Glenn Close. A Glenn Close não participa do filme pelo que eu sei (ainda não vi o filme), ou participa?
E fique tranquila. Somos malucas, mas moderadas.
Bjo.
Daniel F. Silva,
melhorou mesmo. Mas infelizmente ainda não estamos livres deles. Incrível.
Bjo.
Osi,
engajada em lixo urbano e em luta contra poodles? Gostei disso! =D
Bjo.
Flávia Nogueira,
organizar esse movimento não seria uma má idéia. De repente pras eleições de 2008…
Bjo.
Por nada, somente achei estranho o fato dela não ter se ligado que era ficção.
Bjos
A propósito, acabei de descobrir que você conhece um grande amigo meu chamado Luiz, apelido Joker… e mundo pequeno.
Lili,
Adoro seus textos!!!! O pior eh q eu nunca sei quando é verdade ou não. Vc se parece com meu irmão… nunca sei se devo acreditar ou não, por tão surpreendente que ele eh. E agora vc…
Parabéns! Escreva sempre!
Beijos
Sensacional!
beijos
Lilinda!!
Mas o que vai chegar (espero) realmente é meu presentinho, o livro do Capote que ela colocou na lista de presentes. E por isso mesmo o post de amanhã se chama “Caput!”. Pelo som, somente.
Claro que tem a ver com o aniversário da Garota de Niterói.
kuaaaaaaaaaaa! Muito bem feito!
é, alguém tem que fazer o trabalho sujo… e vc fez muito bem!
Muito bom conhecer vocês ontem na casa da Cris.
Meu abraço.
PS. O texto é ótimo e o enredo você já tinha me adiantado.
Oi Lili,
a gente se conheceu hj (ou melhor, ontem) no aniversário da Cris. Como sou mto curiosa já vim aqui no seu blog dar uma fuçada!
Adorei o texto! Tenho q confessar que fiquei na dúvida se era verdade mesmo ou não, mas pelos comentários acima já vi q não…
Bjs
Nil,
até onde pode ser ficção?
Bjo.
Nil,
bota pequeno nisso! Minúsculo!
Bjo.
Maria, Maria…
na verdade a gente não deve acreditar realmente em ninguém, nunca. =D
Bjo.
Quel,
brigada.
Bjo.
Edu,
que pena! Achei que você iria pra Nikity pra ver a moça e, então, nos conheceríamos!
Bjo.
Ane Brasil,
=)
alguém tem que fazer, certo?
Bjo.
Arquimimo Novaes,
foi bom conhecer você também.
Apareça sempre, a casa é sua.
Bjo.
Bella,
a pergunta é exatamente essa: acreditar em quê?
Seja bem-vinda!
Bjo.
Hum… essa pergunta é complicada…ficção pode ir até o limite da realidade, mas ai vem a questão: o que é realidade? Talvez tudo seja ficção, o que não seria de estranhar, porém cairiamos em mais um chavão.
Por outro lado…
Sei lá
Bjos
Cheguei aqui pela Festa Móvel (http://festamovel.blogspot.com) e gostei muito.
A senhora tem talento, viu!
Um abração.
- sou colaboradora eventual no site indicado
Arrasou querida. Definitivamente.
Beijão!!! Saudades!
Lili, na próxima me chama que aí serão 2 sacos de lixo -e se bobear ainda faço cocô nos santinhos!
Beijo!
Faz tempo que não leio uma página inteira de um blog que visito pela primeira vez.
O seu é muito bom.
Vou voltar pra fuçar o resto.
Lili,
Cheguei aqui após ver sua foto no álbum da Denise (Síndrome). Fiquei curiosa pra saber um pouco mais sobre aquela menina linda… e aí descobri que além de linda é também talentosa e muito interessante! Confesso que cada vez que entro em seu blog gosto mais. Bjo! Adorei esse post!
Nil,
filosofia é realidade? hahahaha…
Bjo.
Criada de Madame,
brigadin.
Se a senhora veio do Festa Móvel veio bem-vinda e bem nutrida!
Bjo.
lili cheveux de feu, , xará!
Saudade também.
Brigadin. A gente tenta.
Bjo.
Edu,
a gente podia comandar uma campanha, que tal? A instrução sobre o cocô fica por sua conta.
Bjo.
José Alberto Farias,
que bom!
Seja bem-vindo, então!
Bjo.
Ana Paula ,
que bom! Seja sempre bem-vinda! E leitora da Denise é sempre uma honra pra mim.
Bjo.
Não mesmo, só que não sei definir ficção nem realidade, e acho os conceitos existentes dos dois bem pobres, não abordando o tema nas várias formas que podem aparecer. Quase igual a chatice da teoria literária…
Bjos
Nil,
quanta complexidade!
Minha cabecinha oca não dá conta.
Bjo.
Lili,
seus textos são realmente interessantes. O mix de realidade e ficção parece atrair as pessoas. No caso deste pequeno texto o fato de mesclar ficção com nomes reais trouxe alguns transtornos, mas tb gosto de escrever e por isso não me incomodei. Em meus artigos prefiro usar nomes fictícios. Minha campanha foi fundamentada na proposta de tomarmos uma atitude frente ao caos que estamos vivendo. Pesquise por exemplo se se interessar sobre artigos meus publicados em jornais de grnade circulaçõ e alguns sites sobre temas relacionados. Eu e você sabemos o limite entre ficção e realidade de sua crônica. Não serei estraga prazeres em contar para seus leitores, mas reservo-me apenas o direito de dizer que: não houve boca de urna em minha campanha, quem joga o papel no chão é quem o recebe e não se interessa e não o candidato(papel custa caro), não usei pulover em outubro estava muito quente, não moro em apartamento e não comemoramos os resultados pois não fui eleito. Abraço e parabéns pelo site.
Alexandre Arraes
Sr. Arraes,
agradeço pelo comentário e pela visita.
Quanto à veracidade do post, não tenho o menor problema em esclarecer para os leitores que APENAS o começo dele é verdadeiro: o fato de ter encontrado tantos santinhos seus no chão, no dia e no local de votação.
Abs.
Lili,
ocorre que no texto principal os limites não ficam claros. Só sabe os limites quem lê os comentários. Realmente essa situação é desagradável. Não discuto o seu direito de contar uma experiência que viveu e emitir sua opinião sobre ela, mas sim o fato de não ficar claro no texto o limite entre a verdade e ficção. Peço-lhe que tome o mais brevemente possível alguma providência para sanar ese problema. Grato
Alexandre Arraes