Thursday, January 25, 2007

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Esse blog não morreu. Eu juro que não. Sei que ando sumida, mas é fase. Juro que é. Vai passar. É que tou mudando de apartamento e antes tava sem computador e antes ainda teve ano-novo e natal e antes minhas mudanças de vida e com essa sequência fica difícil ser presente.

Mas sabe que eu fico com saudade de escrever? Fico. Porque ultimanente não tenho escrito muito - tenho sim lido muito. E tenho trabalhado muito. E tenho visto muito filme. Ah, pronto! Vamos relembrar os velhos tempos!

:: Exterminador do Futuro 1 e 2 - O dois, sem dúvida, é melhor do que o um, isso por causa da confiança que o James Cameron ganhou com o primeiro (confiança e orçamento, digamos assim). O roteiro dos dois se entrelaça bem e ambos tem aquele jogo fantástico de passado-presente-futuro que é magnético até. Virou clássico, tem que ver.

:: Mais Estranho Que a Ficção - Um dos melhores filmes que vi ultimamente. Tem um roteiro espetacular e atuações acertadas. Faz a gente refletir sem ser aquela coisa maçante de filme que quer fazer pensar. Adorei.

:: Os Bons Companheiros - Eu sei que é um clássico, mas eu não gostei muito, não. As atuações são boas mas o roteiro é um pouco arrastado e a montagem não tem nada de especial.

:: O Profissional - Outro filme espetacular que vi nos últimos tempos. Jean Reno e Natalie Portman (ainda criança) combinam muito e a direção lenta de Luc Besson dá um toque especial nesse roteiro um tanto quanto incomum.

:: Nikita - Também espetacular, também de Luc Besson, também com direção lenta nas cenas de ação, também com roteiro exótico e atuação muito bem explorada de Anne Parilaud. Tem que ver.

:: Kill Bill Vol.1 - Sei que vai ter um monte de gente querendo me matar por esse comentário, mas achei esse filme bobo. Essa coisa de homenagem às histórias em quadrinhos e aos japas tem limite. Realmente não vi muita graça não.

:: O Ano Em Que Meus Pais Sairam de Férias - Impressionante o talento que Cao Hamburger tem pra dirigir crianças. Pra quem não lembra, ele dirigia Castelo Ra-Tim-Bum. O filme consegue ser bom. Não chega ao ótimo porque falta alguma coisa no roteiro que eu não sei bem o que é. Mas funciona e é bonito.

:: Os Infiltrados - Ainda não entendi porque insistem em genializar Martin Scorcese. Jack Nicholson é realmente incrível, mas sua atuação aqui não chega aos pés de Melhor É Impossível ou Um Estranho no Ninho. O resto do filme é um tanto mais do mesmo.

Pois. Vi mais um monte de outros mas não me lembro agora. Se lembrar e der vontade, depois eu coloco aqui. Senão a gente se fala no próximo post - e eu juro que vou tentar ficar mais presente.

Posted by Lili at 14:08:56 | Permalink | Comments (6)

Sunday, January 7, 2007

515

Quem trabalha por projeto não tem férias. Infelizmente é assim que funciona. Uma coisa sempre puxa outra e não se pára de trabalhar nunca. Até aí, tudo bem. Não vou dizer que não tenho uma certa flexibilidade. E também não trabalho em feriados nem finais de semana. E trabalho pouco em relação aos meus companheiros de profissão que tem trabalho fixo. Mas eles não passam pelas coisas que eu passo. Por um simples motivo: eu trabalho dentro da casa do meu cliente.

Cheguei do ano-novo, dia 02 de janeiro, pra continuar o que eu tinha parado. Estou na fase das fotos há meses. Porque são muitas, 50 anos de fotos misturadas incoerentemente e eu não uso a minha cliente pra me ajudar na seleção. Apesar de parecer loucura eu trabalho no olhômetro: essa foto tem a mesma criança dessa, essa velha tá usando a mesma roupa que na outra, essas coisas. Eu já tentei trabalhar com orientação da minha cliente, mas ela é passional demais, pára e se emociona com o passado e tira as fotos das pilhas e as pilhas de lugar. Por isso trabalho sozinha. E deixo minhas pastas lotadas de fotos pré-selecionadas sempre no mesmo lugar, quietinhas, esperando a hora de serem reabertas e organizadas em álbuns - que é o trabalho que eu estou fazendo agora.

Então você pode imaginar como foi entrar no primeiro dia útil do ano e dar de cara com a sala completamente mudada, os móveis trocados de lugar. Fiquei parada por alguns segundos, olhando tudo naquela cena clássica de mão-na-boca e olhos arregalados, até chegar na mesa onde as pastas sempre ficavam intactas.

Claro que nada mais estava no lugar.

Sentei ao lado das pastas, incrédula. Fiquei ali, sentada, com aquelas pastas e a certeza do trabalho perdido, a raiva subindo garganta acima, nem vi quando ela desceu e tomou conta da minha mão, jogando o vaso de orquídea, que insistentemente teimavam em manter junto do meu material, contra a parede. O berro quase saiu junto mas a cliente entrou na sala antes que desse tempo dele fugir boca a fora.

- Feliz Ano-Novo. Elisa! - veio, ela, sorridente.

- Feliz Ano-Novo… - respondi, prendendo o grito entre os dentes que, de alguma forma, formavam um sorriso.

- Passou bem a virada?  - foi chegando, olhando as pastas mexidas.

- Passei, obrigada.

- Deixa eu te falar: recebi visitas no reveillon e, quando voltei pra sala, tinham mexido nas pastas.

O grito quase trincou meu dente, forçando a barra pra sair.

- Mas eu, assim que vi, pedi pra não mexerem mais, então está tudo em ordem dentro das pastas, elas só foram tiradas de posição.

O grito escorreu goela abaixo e deu espaço pro ar voltar a subir pro cérebro.

- Entendi. Já estava preocupada. - disse, num ar falsamente calmo.

Ela sorriu e saiu, me deixando finalmente respirar. Pelo menos por alguns segundos, antes de correr atrás da vassoura e recolher os restos mortais da orquídea que “caiu no chão, tadinha… - não disse que não era bom deixá-la junto das minhas pastas?”

E o ano começa, finalmente.

 

***

Um bom 2007 pra você! ;) 

 

Posted by Lili at 11:54:34 | Permalink | Comments (12)