Sunday, March 26, 2006

430

Fargo“, de Joel Coen.

O roteiro do filme, baseado livremente em fatos reais pelos irmãos Joel e Etnan Coen, tem uma particularidade muito interessante: faz de um possível repetido thriller policial um circo humano. Apesar de a história toda rodar em torno de um sequestro planejado pelo marido da vítima e suas consequências, o foco da história não fica preso nas ações físicas, mesmo que impressionantes. Os Coen conseguem levar o foco para o interior de cada uma das personagens, em suas particularidades, em seu cotidiano, nas pequenas ações que contribuem para o todo mas que nunca são lembradas.

Tecnicamente é um filme bem elaborado, com uma fotografia diferente e linda. A edição surpreende para um thriller, mas acompanha com excelência o foco do roteiro. As atuações são certeiras, especialmente a do injustamente desvalorizado Steve Buscemi (como o sequestrador Carl Showalter) e a de Frances McDormand (como a policial Marge Gunderson).

É um filme diferente: um thriller humano, real.

Fim da crônica cinematográfica (The End).

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429

Os Excêntricos Tenembaums“, de Wes Anderson.

Um filme bom e difícil. Bom porque tem um ótimo elenco, porque é bem produzido, porque tem argumento simples e roteiro bem elaborado. Difícil porque não é um filme para todos os gostos. Ele trata de um humor negro no cotidiano mas de uma forma mais aguda do que o normal. As personagens são agudas, a forma com que são mostradas também o é. É o recorte que Anderson gosta de dar a seus filmes - e o que faz com que muitos o rejeitem.

Trata-se da história de um pai (Gene Hackman, como Royal Tenenbaum) que tenta se reaproximar de sua complexa família depois de anos ausente. Tudo é um tanto ácido mas ao mesmo tempo sutil. As personalidades são bem desenvolvidas e a arte, absurda e bem feita, ajuda a buscar esse clima quase surreal do dia-a-dia. Tecnicamente é um bom filme e o elenco estelar, que conta com Anjelica Huston, Bill Murray, Gwyneth Paltrow, Ben Stiller, Danny Glover, Luke e Owen Wilson, entre outros, está em ótima forma.

É um ótimo filme, mas ácido. Não é para todos.

Fim da crônica cinematográfica (The End).

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428

Achadas & Perdidas“, de Maitê Proença e Luiz Carlos Góes, direção Roberto Talma.

Espetáculo teatral em cartaz no Rio, no Teatro do Leblon, escrito, co-dirigido e estrelado por Maitê Proença, engrossado por Clarisse Derzié. Trata-se de 6 esquetes de humor - algumas mais bem humoradas do que outras - sobre o universo feminino. Maitê, que se aventurou no campo da literatura há pouco tempo, trasncreveu alguns de seus contos para o palco, onde fala de seus sentimentos diante de uma série de situações como a dificuldade de escrever, a frustração em lidar com o envelhecimento, a inveja do companherismo masculino, a angústia em lidar com a perda de alguém querido, entre outros.

Não se trata de uma produção espetacular nem de atuações impecáveis. Tudo parece um tanto provisório ou improvisado, mas de uma certa forma o clima combina com o espetáculo. Maitê ainda precisa aprimorar sua técnica, mas ela leva vantagem por ser um texto autoral e claramente pessoal. Não chega a ser uma comédia rasgada, mas surpreende em alguns momentos, como a esquete “Meninas”, que extrai humor involuntário das atitudes de duas crianças em um velório.

No geral não é um ótimo espetáculo, mas é uma tentativa de expressão. Não sei se funcionaria bem se não fosse sobre alguém famoso, como a Maitê.

Fim da crônica teatral (b.o., baixa o pano).

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427

Boa Noite, e Boa Sorte“, de George Clooney.

Seria um documentário se não fosse uma reprodução. O filme trata do período de “caça às bruxas” comunista nos EUA e como ele foi desmascarado pela imprensa. Um tema antigo, por se tratar de comunismo e década de 50, mas extremamente atual, por falar de jogos de poder, política e a interferência da mídia.

É um filme com pouca interferência da direção, ao que parece, apesar da direção ser essencial para o bom andamento do filme. Mas como é uma representação da realidade daquele período, do envolvimento do jornalista Edward R. Murrow (bem interpretado por David Strathairn) num conflito de poder, foi uma opção da direção a pouca intromissão. Até mesmo a fotografia é retroativa, em preto e branco e no formato padrão do período. Tecnicamente é uma boa produção mas é pouco inventiva. Talvez por isso o filme seja mais um documento político do que uma grande produção artística. Mas é um ótimo filme. Vale assistir.

Fim da crônica cinematográfica (The End).

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Sunday, March 19, 2006

426

Tarde de domingo em casa tem dessas coisas…

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Monday, March 6, 2006

421

Queria muito entender por que é que as pessoas dão tanta importância ao Oscar.

Tou escrevendo isso pela algazarra óbvia que foi a não-premiação de “O Segredo de Brokeback Mountain” como filme do ano. E todas as outras apostas “certas” que não vingaram. Não entendo essa fé toda das pessoas na justiça do Oscar.

Pra começar é uma festa da indústria de cinema estadunidense. Ou seja, só participam nas principais categorias filmes nacionais (deles) e, quando muito, filmes lançados por lá com orçamentos milhonários por alguma distribuidora deles (como aconteceu com “Cidade de Deus” e “A Vida é Bela”, que tiveram investimento milhonário da Miramax). Logo, por melhor qualidade técnica que tenha um filme francês, brasileiro, iraniano, indiano - que, diga-se de passagem, construiram a própria indústria, cansados de tentar entrar na indústria deles - e afins, eles quase nunca entram no páreo.

Outra coisa: pra quem não se lembra, o Oscar é a festa da The Academy of Motion Picture Arts and Sciences. Academia sediada nos Estados Unidos, com membros estadunidenses, que criou a cerimônia há 78 anos para incentivar a produção cinematográfica deles. Os jurados, membros dessa academia, têm essa visão de jogo. Para eles não importa se um filme palestino foi melhor do que um estadunidense ou se Brokeback foi melhor que Crash, ou vice-versa, ou qual dos dois teve maior ligação com o público. Para eles o que importa são preceitos políticos internos. O que significa que o Oscar não é justo e nem teria como ser. Isso explica Kubrick só ter ganhado Oscar depois de morto e o inovador Chaplin só ter ganhado experiência.

É por isso que eu não assisto e, por mais que leia uma notícia aqui ou ali, não me interesso pelo Oscar em geral. Ele nada contribui com o desenvolvimento do cinema mundial e nem “justo” é.

Crítica boa quem faz é o público.

 

Posted by Lili in 16:28:47 | Permalink | Comments (26)

Saturday, February 25, 2006

416

Se Eu Fosse Você, de Daniel Filho.

Por ser um escolado diretor de televisão Daniel Filho conhece a fórmula do trabalho preciso. Preciso no sentido de tempo - dizem que o filme foi feito rápido, com atores e equipe afiados e bem maestrados -, e no sentido foco. O de Se Eu Fosse Você é na dupla Tony Ramos & Glória Pires.

A história é a velha de sessão da tarde: um dia, por acaso, duas pessoas trocam de corpos. Aparentemente tudo para ser um filme banal. Mas o diretor soube escolher bem seus protagonistas e o roteiro afiadíssimo de Adriana Falcão, Daniel Filho, Renê Belmonte e Carlos Gregório completou o espetáculo. O filme acaba sendo um grande azarão vencedor, com atuações brilhantes e um carisma junto ao público como poucos outros filmes conseguem, ainda mais sobre um tema tão batido.

Tecnicamente não se ressalta, apenas cumpre sua função. O elenco dá um ótimo suporte ao casal principal (com excessão da atriz que faz a dona da empresa de Lingerie, de expressividade zero), e até a trilha sonora é bem acertada. Mesmo pras pessoas de humor difícil é um prato cheio. Mérito de Tony e Glória, Mérito de Daniel.

Fim da crônica cinematográfica (Fim).

Posted by Lili in 01:23:26 | Permalink | Comments (11)

415

Munique“, de Steven Spielberg.

Difícil mesmo definir Munique. Segundo Lili, a Ruiva, Spielberg é rei em fazer filmes chatos bem dirigidos. Acho que isso se aplica também a este.

O filme é uma história inspirada em fatos reais, sobre as consequências do atentado aos atletas israelenses por um grupo radical palestino nas Olimpíadas alemãs de 1972. Conta com um protagonista bom (Eric Bana), tem uma boa direção, mas não tem uma edição precisa - o que acaba rendendo 2h40 de filme não tão necessárias -, nem mesmo nenhuma inovação de linguagem ou imagem. É apenas um filme bem montado, com boa direção de arte, figurinos e toda a recriação de época. Apenas, porque não empolga realmente.

Fica extremamente claro o engajamento do diretor, por mais que ele tente esconder. As atuações são boas, mas passam longe do brilhante. Acaba se tornando um filme alheio, daqueles que, do começo ao fim, você sabe que se trata apenas de um filme.

Fim da crônica cinematográfica (the end).

Posted by Lili in 01:17:31 | Permalink | Comments (2)

Friday, February 17, 2006

412

O Marcelo me perguntou sobre os filmes do Jorge Furtado nos comentários do post 411. Pois fui responder e então me dei conta como esse moço produz boas coisas. Ele é o diretor de “Lisbela e o Prisioneiro”, “Benjamim”, “Caramuru - A Invenção do Brasil”, “Os Normais” e até “Meu Tio Matou um Cara” e “O Coronel e o Lobisomem”, estes dois últimos que eu ainda não vi. Mas eu não tinha ligado o diretor aos filmes e agora me dei conta de que ele é o diretor do maravilhoso curta “Ilha das Flores”, de 1989: cinema politizado da melhor qualidade.

E aí em cima tão só os longas, porque o moço é responsável também pela direção de séries como “Os Normais”, “Cidade dos Homens” e a própria “A Invenção do Brasil”, que virou filme. Além de ter ajudado a escrever os roteiros de “A Comédia da Vida Privada”, aquela maravilhosa adaptação dos contos do Veríssimo que passava nas longínquas noites de terça.

Se quiser saber mais sobre o moço-diretor, é só dar uma olhada aqui.

Como às vezes a gente deixa passar coisas de bobeira, né?

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Como bem lembrou a Cris, o “Ilha das Flores” pode ser encontrado no site Porta Curtas. Se tiver 13 minutinhos sobrando, dê uma passadinha lá. Vale a pena.

Posted by Lili in 16:24:15 | Permalink | Comments (16)

Thursday, February 16, 2006

411

Pronto. Crônicas atualizadas. Ufa! =)

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Dinheiro Grátis“, de Michel Melamed.

Um programa de auditório. É isso que Michel Melamed faz em cena, na arena do Teatro Espaço Sesc. O público entra com ele em cena, o público se acomoda e conversa com ele. Ele começa o espetáculo ninguém sabe muito bem quando. E ninguém vê a hora passar.

A performance-filosófico-político-teatral de Melamed é impressionante. O público fica inquieto diante de seu leilão de cultura. Tudo é perfeitamente calculado da mesma forma que é de um improviso anárquico espantoso. A participação do público é animada, até ansiosa, num misto de inconformismo e aceitação. Diverte e revolta. Melamed brinca com as referências, com os valores, com o tempo, que ninguém vê passar. E ele vai embora sem ninguém saber muito bem quando.

A luz e o cenário encaixam bem à proposta do espetáculo. A trilha sonora é bem calculada e requer do operador de som muita atenção. A direção surpreende e Melamed impera, do início ao fim.

Fim da crônica teatral. (B.O.)

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Os Homens São de Marte… E É Pra Lá Que Eu Vou!“, de Mônica Martelli.

Na onda das produções independentes de comédia, corrente forte e vigente no Rio de Janeiro hoje, Mônica Martelli conseguiu encontrar seu lugar ao sol. Dona do texto e da atuação desse monólogo (que já passou pelos menores espaços da cidade e hoje ocupa o horário nobre do Teatro Vanucci, no Shopping da Gávea), ela mostra para a platéia o que esta quer ver: piadas estereotipadas e humor fácil, às custas de uma mulher que tenta desesperadamente se encontrar emocionalmente.

Martelli consegue segurar bem a platéia durante mais de uma hora de espetáculo, mas ainda assim peca pelo excesso de cacoetes, desde o trabalho de texto até a expressão corporal. O texto agrada a grande maioria, que faz parte do mundo retratado pela autora (um mundo de máscaras sociais e trios elétricos), e em algumas poucas partes salpica piadas realmente inteligentes e não-óbvias.

Se você tem humor difícil, não vá ver. Mas se você gosta de um bom besteirol, é um prato cheio.

Fim da crônica teatral. (baixa o pano, b.o.)

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Monty Pithon em A Vida de Brian“, de Terry Jones.

É muito difícil falar desse filme. “A Vida de Brian” é um filme espantoso. O filme mostra a trajetória Brian, um contemporâneo de Cristo em Jerusalém. Conta com participações especiais (como George Harrison, que ajuda a encerrar o filme da forma mais estranha possível) além da equipe habitual do grupo.

Tecnicamente é muito bem produzido, mesmo com todas as restrições da época (1979). Conta com um certo exagero na cenografia e no figurino, mas que caem bem na obra como um todo.

Não há muito mais o que falar. É um filme impressionante, que merece ser visto. E que vai bem na discussão atual das charges religiosas nos jornais.

Fim da crônica cinematográfica (The End).

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Monty Pithon e O Sentido da Vida“, de Terry Jones e Terry Gilliam.

Uma série de esquetes, que passam por diversas épocas da história universal, que tentam explicar, na versão dos malucos do Monty Pithon, o sentido da vida.

Mais um filme ousado, mas sem tanta força e graça como “A Vida de Brian”, por exemplo. Foi o último filme produzido pelo Monty Pithon, o que acabou sendo uma combinação estranha: tecnicamente é sua melhor produção, mas dessa vez eles erram um pouco a mão em algumas das esquetes e abusam da escatologia sem grande fundamento. Mesmo assim algumas das esquetes são muito interessantes, como a da família suburbana católica apostólica romana.

Não vale muito a pena. A não ser que você goste muito das obras do grupo.

Fim da crônica cinematográfica (the end).

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Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes“, de Guy Richie.

O filme pré-Snatch (Porcos e Diamantes) já anuncia o que viria depois, aprimorado. Sequencias interessantes, boas trilhas sonoras, uma edição sagaz e um roteiro justo, enrolado e dinâmico.

O filme ainda não contou com o fio da direção que Guy Richie veio a alcançar depois, mas é um bom filme trama&perseguição. A edição é bem feita, mas ainda um pouco lenta para o que a trama pede. Tecnicamente é bem estruturado, mas não conta com personagens tão fortes nem atores tão bem colocados.

Vale, mas fica longe de Snatch.

Fim da crônica cinematográfica (the end).

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Noites de Cabíria“, de Federico Fellini.

Um clássico do cinema mundial, “Noites de Cabíria” carrega consigo toda uma estética e uma personalidade próprios. Um filme bonito e melancólico, comovente, com a atuação profunda de Giullieta Masina como Cabiria.

Ainda da geração preto & branco, tem uma estética especial, que explicita o conflito entre a formalidade e a informalidade da época (o final da década de 50), uma fotografia interessante, edição e direção justas. Mas o forte são, definitivamente, a atuação de Giullieta e os climas propostos pelo diretor, que promovem constantes mudanças de sentimentos e sensações em quem assiste.

Não é pra todos os gostos. Mas é lindo.

Fim da crônica cinematográfica (Fin).

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A Marcha dos Pinguins“, de Luc Jacquet.

“É como assistir ao Discovery Channel sem poder trocar o canal”. A frase que ouvi de um amigo é perfeita para sintetizar “A Marcha dos Pinguins”.

O filme, um documentário sobre a procriação de uma espécie de pinguins do pólo sul, é a gravação de um período da vida desses animais, acrescida de uma boa edição e de uma não-tão-boa narração. Narração essa que poderia ser suspensa, ou diminuida, já que muitas vezes a “voz dos pinguins” atrapalha ou mesmo enjoa. Algumas sequências são longas e a trilha sonora um tanto melada demais, mas não deixa de ser um filme interessante - desde que você tenha paciência para documentários.

Fim da crônica cinematográfica. (fin)

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Colateral“, de Michael Mann.

Uma corrida de taxi acaba se tornando um grande tormento para o taxista. Assim poderia ser resumido “Colateral”, já que todos os méritos do filme são de Jamie Foxx, que interpreta o controlado taxista Max.

O filme, em geral, é solto, lento, o contrário do que seu argumento propõe. A tentativa do diretor de colocar o foco na relação de Max (Foxx) e Vincent (Tom Cruise) frustra-se quase que completamente. Cruise não está no seu melhor e provavelmente nem seria o melhor nome para o papel. A trama, que poderia ser mais envolvente, cai muito no clichê e, sem a ajuda da edição ou da trilha sonora, fica sonolenta.

Se quiser um bom filme de ação procure outro.

Fim da crônica cinematográfica. (the end)

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O Homem Que Copiava“, de Jorge Furtado.

Um filme simples, de narrativa envolvente, de argumento forte e surpreendente. “O Homem que Copiava” faz parte da nova safra do cinema brasileiro e vem recheado de boas interpretações e técnicas.

André (Lázaro Ramos) é operador de fotocopiadora de uma pequena papelaria, que tem uma visão de mundo realista e muito particular e sonha com Sílvia (Leandra Leal). Ramos e Leal formam uma boa dupla, fazendo um ótimo trabalho, e são ajudados por Luana Piovani e Pedro Cardoso, em papéis de seus números.

A parte técnica é muito boa. Conta com uma boa trilha sonora, argumento e roteiro bem preparados, edição e efeitos especiais bem colocados. A direção não é esplendorosa, apenas justa, mas o filme tem um resultado muito interessante, vale a pena.

Fim da crônica cinematográfica. (Fim)

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Um Copo de Cólera“, de Aluisio Abranches.

Lento. Muito lento. O filme baseado no livro de Raduam Nassar, com seu trabalho ansioso e sem pontuação, peca pela indefinição na linguagem.

Julia Lemmertz tem momentos de brilho, assim como Alexandre Borges, mas ambos não são nem um pouco ajudados pelo roteiro. Aparentemente se preocuparam muito com as cenas picantes (e muito picantes) e esqueceram de pensar no resto da trama. A indefinição de linguagem, com o personagem de Borges conversando desnecessariamente com a câmera em vez de sua voz entrar em off, ou a grande discussão entre os dois, que não teve sua linguagem adaptada para diálogo, deixam o filme distante e, consequentemente, vazio, o oposto da proposta de livro e filme. A partir daí nada mais ajuda. Uma pena. Acaba só valendo mesmo pelas cenas de sexo.

Fim da crônica cinematográfica. (fim)

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Frida“, de Julie Taymor.

Lindo. Comovente. Inquietante.

A história da pintora Frida Kahlo é lindamente retratada nesse filme, que tem como protagonista Salma Hayek, encantadora. O roteiro, bem estruturado, é ajudado pela edição bem planejada e pela direção certeira das cenas. O carisma de Hayek, assim como o de Alfred Molina (Diego Rivera) e a química dos dois são indispensáveis para o andamento da obra e o encantamento do público.

Tecnicamente o filme tem o pequeno problema de não ser falado em espanhol, o que daria mais vivacidade. Entretando, a ambientação é tão bem feita, a trilha sonora, a escolha do elenco secundário (com a pequena excessão de Geoffrey Rush, que não convence muito como Trótski), a fotografia, que o problema do idioma acaba sumindo. Além disso, houve a ótima idéia - muito bem executada, por sinal - de animar os quadros de Frida durante o filme, contextualizando-os e tornando sua obra mais profunda e encantadora.

Na versão em DVD ainda é possível ver uma porção de extras, da história de Frida Kahlo detalhada, até entrevistas e making of.

Fim da crônica cinematográfica (The End).

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Posted by Lili in 18:58:05 | Permalink | Comments (18)